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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

AO GENERAL TORRES DE MELO

AO GENERAL TORRES DE MELO
Sérgio de Vasconcellos.
MM. DD. General Torres de Melo.

Sou profundo admirador do seu relevante trabalho em prol da Pátria, que venho acompanhando, inclusive recebendo diretamente no meu e-mail os seus esclarecedores “Documentos”.

No início de 2012, o Sr. brindou-nos com uma brilhantíssima resposta à jornalista Miriam Leitão, que ganhou imensa repercussão no mundo virtual sendo reproduzida em várias dezenas de blogs e recebendo inumeráveis elogios, o que certamente deve ter deixado à caterva comunista bastante perplexa. Pretendi já naquela época tecer umas breves observações ao seu magnífico escrito, mas, não o fiz e, agora, serenada a merecidíssima reverberação de seu Artigo, resolvi publicar as considerações que o mesmo me suscitou sobre a presença Militar na História Nacional (1).

O Sr. na sua excepcional resposta à citada jornalista nos dá a impressão de que os Militares tiveram um papel secundário na Vida Nacional, indo a reboque das maquinações civis, o que não posso concordar. De forma alguma podemos amesquinhar a participação das Forças Armadas na História Pátria.

De fato, foi a atuação do Duque de Caxias e de outros Militares de igual envergadura intelectual e moral que impediram que o separatismo lacerasse o corpo da Pátria. Hoje, que as mesmas forças centrífugas se fazem sentir, também estipendiadas pelo mesmo Capitalismo Financeiro Internacional que financiou as revoltas separatistas ao tempo do Império, pergunto: Terá o Brasil Soldados da fibra de Caxias, Amazonas, Herval, Tamandaré para sustentar a integridade nacional? O Sr. como Militar está em condições de responder esta dúvida que, posso adiantar, está longe de ser unicamente minha.

Querer reduzir o papel do Proclamador da República e de seu Consolidador ao de indivíduos “envolvidos” por “políticos” é querer passar atestado de burrice em Deodoro e Floriano. A Proclamação da República foi um Movimento Militar em que o Povo Brasileiro e a maioria dos Políticos não tiveram qualquer participação, salvo por um pequeno grupo de republicanos, que se aproveitou da situação para derrubar a Monarquia, pois, quando Deodoro rebelou suas tropas seu objetivo era apenas a deposição do Gabinete Ouro Preto. Estando este e demais Ministros literalmente presos no Campo de Santana, o Imperador então convoca Silveira Martins, conhecido pelo seu rigor, para compor um novo Gabinete, e somente aí o General Deodoro ultrapassa a linha da insubordinação e trai o Império que jurara defender. Foi a primeira, porém, não a última intervenção Militar na Política. A segunda foi a deposição do próprio Deodoro pelo seu Vice, o General Floriano Peixoto... Portanto, General, a malsinada Proclamação da República está muito longe de ser um exemplo de respeito à Lei e à Ordem.

A Política dos Governadores? Ora, é o fruto sazonado da quartelada de 15 de Novembro de 1889 e manteve-se à sombra das baionetas enquanto durou a República Velha, inclusive, prestando-se a eleição fraudada do Marechal Hermes para a Presidência da República. Onde estavam os Militares de brio que impugnassem tal roubalheira e garantissem a verdade das urnas, nas quais fora eleito Rui Barbosa? Omitiram-se, permitindo mais esse desrespeito à Lei e à Ordem. E como foram tratados os Militares que se rebelaram na defesa da Lei e da Ordem, por exemplo, na Revolta da Armada, na Revolução Federalista, na Revolta da Chibata? Tiveram o apoio do restante do Exército e da Marinha? Sabemos que não, pelo contrário, num belo exemplo de como compreendiam o que era o respeito à Lei e à Ordem: Ficaram ao lado do GOVERNO, ajudando que este rasgasse a Lei e impusesse a Ordem que bem entendia a Nação atônita. O Tenentismo jamais foi aceito pela cúpula militar da década de 20, e só não é tratado com a mesma forma desairosa que outros Militares que se levantaram em épocas anteriores, simplesmente porque muitos deles participaram da vitoriosa Revolução de 30, não fosse isto e seriam mencionados com desdém e vergonha pelos Militares de Ontem e de Hoje. E o levante dos 18 do Forte? E a Revolta do Izidoro, em que se chegou a bombardear a Cidade de São Paulo? Quem estava com a Lei e Ordem? Os Militares revoltosos ou os Militares situacionistas? De qualquer maneira que se opine não se pode negar que se tratava de intervenção militar na Política Nacional.

Onde estavam os corajosos Militares defensores da Lei e da Ordem quando Civis e Militares insurrectos fizeram um tranquilo passeio do Rio Grande do Sul ao Rio de Janeiro e derrubaram o Presidente Washington Luís e impediram a posse do recém-eleito Júlio Prestes? O grupo Militar que se revoltou não deu a mínima a Lei e a Ordem e o restante ADERIU, traindo a Lei e a Ordem que sustentara até a véspera. Instala-se um Governo Discricionário, que nomeia Interventores para todos os Estados – menos para Minas Gerais – e tal estado anômalo perdura até que Paulistas – Civis e Militares – levantam-se em defesa da Lei e da Ordem! É a Revolução Constitucionalista! Sim, o Brasil estava sem Constituição! Onde os Militares que segundo o Sr. sempre sustentaram a Lei e a Ordem que nada fizeram para exigir do Getúlio e dos demais Políticos que tomaram posse do Palácio do Catete o retorno à Democracia? O Estado de São Paulo sofreu, mas, deu um exemplo de civismo, e se perdeu no plano militar, porque o Exército e a Marinha da época pareciam achar muito natural que em pleno século XX o Brasil não tivesse Constituição e que a Ordem fosse determinada por um Governo Discricionário, ficaram leais – pelo menos dessa vez – ao grupo que açambarcara o Poder em 1930, repito, se perdeu no plano militar, a Revolução Constitucionalista ganhou no Político, porque Vargas percebeu que era necessário voltar ao Estado de Direito e convocou uma Assembleia Nacional Constituinte. Por acaso, fizeram alguma coisa os Militares defensores da Lei e da Ordem quando Getúlio pactuou com o Congresso em 1934, num autêntico golpe, pelo qual os Constituintes passaram a condição de Senadores e Deputados Federais, elegendo-o então indiretamente Presidente da República? Nem um tirozinho, General? Que raio de defensores da Lei e da Ordem são estes, General? Só os Integralistas alertaram para as consequências funestas de tal Golpe Parlamentar. Fato semelhante já ocorrera no início da República, quando o mesmo tipo de barganha fez o General Deodoro da Fonseca para se perpetuar no Poder e o resultado final não foi bom a começar pelo próprio Deodoro que foi defenestrado pelo Floriano. Mas, segundo o Sr. eles eram apenas dois ingênuos enrolados pelos Políticos...

E a Revolução de 1935? Que fiasco a atuação dos Militares! Sobre este episódio tenho já tenho um Artigo,  "O Integralismo e a Revolução Comunista de 1935", cuja leitura recomendo.

Chegamos aqui ao ápice da defesa da Lei e da Ordem pelos Militares de Ontem, o Estado Novo! Que exemplo edificante para os Militares de Hoje... As “velhas raposas” encasteladas no Catete em cumplicidade com a cúpula Militar do Ministério da Guerra resolvem não permitir que ocorram as eleições de Janeiro de 1938, afinal, vai que o tal Plínio Salgado se eleja e ponha fim à farra... Então um General carreirista, cujo nome não mencionarei por razões de higiene, rouba descaradamente do então Capitão Mourão Filho um documento reservado da Ação Integralista Brasileira E O APRESENTA À NAÇÃO COMO UM PLANO COMUNISTA QUE FORA DESCOBERTO PELO EXÉRCITO!!! Sim, General Melo, este era o nível moral e intelectual de muitos Militares de Ontem. Infelizmente! Com esta falsa justificativa, com TOTAL APOIO dos Ministros Militares se instalou o Estado totalitário no Brasil! Evidentemente, nem todos os Militares eram desta mesma tibieza moral e, então, começou a conspiração que redundaria na malograda Revolução de 11 de Maio de 1938. Esta, sim, uma iniciativa que visava defender a Lei e a Ordem por Brasileiros Militares e Civis (entre os quais, nós, Integralistas), restaurando o Estado de Direito, o retorno à Constituição de 1934, a convocação de eleições livres, a anistia política, etc. Mas, de que lado ficaram as Forças Armadas? Da Lei e da Ordem, isto é, da Constituição de 1934 ou do totalitarismo estadonovista? É fato, ficaram com Estado Novo e contra a Lei e a Ordem!!! Em 1945, o General Dutra manda o Getúlio ir veranear em Itu e com imerecida aura de herói da 2ª Guerra elege-se Presidente da República. Só fico na dúvida quando o Dutra e os Militares que o apoiavam defenderam a Lei e a Ordem, se quando depuseram Vargas ou quando garantiram a eleição do Dutra pelos velhos e conhecidos manejos da fraude eleitoral?

Não abordarei sua simplista visão da Guerra Fria, escaparia a finalidade desta. Quem sabe noutra oportunidade.

Sei... O Inquérito do Galeão não era da alçada militar... De fato, o Getúlio da década de 50 estava mal cercado, mas, não apenas por civis...

Quanto ao Movimento que redundou na Revolução de 1964, ele se inicia entre CIVIS com total e completa omissão dos Militares, salvo pelas honrosas exceções de praxe, com as Marchas da Família. Havia uma opinião pública favorável à deposição de Jango, mas, os Militares até 30 de Março eram janguistas, digo, defensores da Lei e da Ordem... Então, um Militar de verdade, cansado da lassidão das FFAA, sai de Juiz de Fora e marcha para o Rio de Janeiro e dá início a Redentora, e, então, vieram as ADESÕES de outras unidades Militares, começando pela mais importante, o 1º Exército. Registre-se o nome do Militar, autêntico Patriota, e não um reles carreirista fardado: General Olympio Mourão Filho. MAS, infelizmente, SEMPRE HÁ UM “MAS”, a Revolução de 31 de Março de 1964, uma autêntica contrarrevolução, cuja finalidade era garantir a Lei e a Ordem, preservando a Democracia, o Estado de Direito, que os comunistas em breve destruiriam com a implantação de um Estado totalitário bolchevista, acabou por atentar exatamente contra a Lei e a Ordem, fechando o Congresso, mandando as urtigas a Constituição de 1946, abolindo os Partidos Políticos, fazendo cassações inúmeras, convocando uma nova Constituinte, que redigiu a Carta de 1967, reformulada discricionariamente pelos Militares em 1969, enfim, todo um cortejo de medidas que tiveram como consequência final, o Brasil que temos hoje! Ah! Esqueci que para o Sr. a culpa é sempre dos Civis... Os Militares continuam ingênuos como Deodoro e Floriano...

Os Militares são democratas? Foram democratas quando derrubaram o Gabinete Ouro Preto? Foram democratas quando mandaram o Deodoro para a Casa? Foram democratas quando permitiram a derrubada do Presidente Washington Luiz? Foram democratas quando não tugiram nem mugiram durante dois anos de Governo Discricionário do Sr. Vargas? Foram democratas quando sustentaram durante oito anos o totalitário Estado Novo? Foram democratas quando fecharam os Partidos e praticaram todo tipo de excesso durante o Regime Militar ao arrepio das mais comezinhas noções de Lei e de Ordem? E dizer que “Os militares não irão às ruas sem o Povo ao seu lado” é uma afirmação democrática e respeitadora da Lei e da Ordem? Se o Povo estiver autenticamente insatisfeito com o atual estado de coisas no Brasil, então que se manifeste através dos meios legais, ordeiros e democráticos existentes. Que os militares tratem de se preparar para a Guerra caso o Brasil seja atacado e deixem ao Povo a responsabilidade da condução da Vida Política Nacional.

Finalizando, General Torres de Melo, creio ter demonstrado com fatos inquestionáveis da História do Brasil, que sua “tese” não se sustenta. Desde 15 de Novembro de 1889, os Militares do Brasil têm violado constantemente a Lei e a Ordem, pois, tendo usurpado o Poder Moderador do Imperador estão condenados a interferir constantemente na Política e sempre que o fazem é um desastre! Por favor, continuem em seus quartéis!

Pelo Bem do Brasil!

Anauê!

NOTA DO BLOG:
1) Segundo fui informado por um Militar, a resposta do General Torres de Melo à jornalista Miriam Leitão, não seria do início de 2012 e, sim, de 12 de Março de 2008, e que por sua vez seria uma resposta ao Artigo "Enquanto Isso", datado de 18 de Setembro de 2005. De qualquer forma, só tomei conhecimento da Carta do General Francisco Batista Torres de Melo em Fevereiro de 2012.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A Revolução Redentora de 31 de Março de 1964.

Sérgio de Vasconcellos.

Nem todos os Integralistas valorizam a Revolução de 1964. Existem muitos Companheiros que criticam a Revolução de 31 de Março. Pessoalmente, tenho uma visão bem diferente do episódio.

A chamada Revolução de 64 pode ser abordada por muitos ângulos, tanto favoráveis, quanto desfavoráveis. Existe vasta literatura, publicada desde Abril de 1964 até hoje, e certamente muita documentação deve ser trazida a tona nos próximos anos.

Farei uma síntese do meu ponto de vista pessoal:

Em 1º de Maio de 1964, os comunistas desfechariam sua revolução no Brasil, tendo como líder civil o latifundiário e nada proletário Miguel Arraes (Governador de Pernambuco). Imediatamente, os anti-comunistas iniciariam seu contra-golpe, tendo como líder civil o ex-comunista Carlos Lacerda (Governador da Guanabara). Para apoiar este último, "mariners" estadunidenses desembarcariam no solo sagrado da nossa Pátria, provenientes de uma esquadra estadunidense que, coincidentemente, estava fazendo manobras e exercícios próximos ao nosso litoral... A Guerra Civil instalar-se-ia, e o Brasil seria dividido em Brasil do Norte e Brasil do Sul (a exemplo da Coréia e do Vietnam). O bobalhão do João Goulart ficaria reduzido ao Distrito Federal. Para impedir que a Guerra se alastrasse mais ainda e diante da incapacidade do Governo Central do Brasil de restabelecer a Ordem, a ONU votaria em toque de caixa uma resolução colocando a Amazônia provisoriamente sob sua imediata tutela, garantida também pelos "mariners", é claro... Com o esfacelamento do Brasil, os Estados Unidos e a União Soviética teriam ganhos colossais: Os Estados Unidos destruiriam o único País que poderia emergir no futuro como seu rival; os inimagináveis recursos da Amazônia seriam finalmente seus; o controle do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, bem como da Amazônia, garantiria não só o controle do nosso Parque Industrial, mas, das matérias primas, bem como formavam um cinturão que isolava a área controlada pelos comunistas (o Nordeste) do restante da América do Sul; já a União Soviética, ainda presa a velha e superada visão Geopolítica de que o Nordeste do Brasil é a chave para a Conquista da África, achava que estava passando a perna nos ianques...

Lamentavelmente, forçoso é reconhecer que muitos Brasileiros, civis e miltares, cooperavam para a concretização desse plano anti-Brasil. E tudo isso se cumpriria, se um pugilo de Militares e Civis, autenticamente Nacionalistas, não resolvesse iniciar a Contra-Revolução antes que a Revolução fosse desferida, frustrando assim os planos traçados em Wasshington e Moscou.

Então, Mourão Filho sai com tropas de Juiz de Fora e marcha em direção ao Rio de Janeiro. O imprevisto de tal ação corajosa paralisa a ação dos apátridas, nem em Brasília (Castelo Branco), nem no Rio (Costa e Silva), o governo toma providência contra o Militar revoltoso, em Recife, Miguel Arraes nem desconfia que dali há pouco, deixará de ser o futuro governante comunista do Brasil para ser preso político, menosprezando a importância daquela pequena tropa nos acontecimentos. Em breve, com a adesão do 1º Exército, a Revolução de 31 de Março estava vitoriosa. E aí acontece o mais surpreendente, o Líder da Revolução, entrando pelo Palácio Duque de Caxias, ao invés de dar ordem de prisão ao Gal. Costa e Silva, que estava escondido debaixo da mesa de seu Gabinete e alcoolizado, simplesmente APRESENTOU-SE E SOLICITOU NOVAS ORDENS!!! Mal acreditando no que ouvia, o futuro Marechal diz ao Mourão que recolha sua tropa a Vila Militar e vá descansar, no dia seguinte ele receberia instruções. O ingênuo do Mourão obedece e num dos erros mais crassos da história, ao invés de ficar com sua Tropa na Vila Militar (da qual ele era o chefe de fato), resolve ir passar a noite com sua Família em Copacabana... Controlando-se a custo, pois bebera muito whisky (sua bebida predileta), telefonou para o seu cúmplice de Brasília, o General Castelo Branco, e narrou o ocorrido. No dia seguinte, quando o Mourão voltou ao Palácio da Guerra não comandava mais Tropa nenhuma, era um zero a esquerda.

Um grupo de manipanços de farda, que não desferira um tiro, que não saíra dos seus Gabinetes, que não fizera rigorosamente nada, assumiu o Comando da Revolução num golpe de sorte, graças a ingenuidade de um homem que se levantara contra o comunismo e para evitar uma Guerra Civil, e que nunca pensou em tomar o Poder. O Resultado é que uma quadrilha de militares e civis apossou-se do Brasil, e aí o nosso País foi administrado por tipos como o suposto ex-comunista Roberto Campos, o cripto-comunista Jarbas Passarinho e outros. As perseguições começaram.

Ora, tendo o grupo pró-estadunidense assumido imprevistamente todo o País, o que contrariava os acordos secretos entre Moscou e Washington, foi necessário que Tio Sam desse em compensação a África à URSS, daí a explosão de repúblicas socialistas no Continente Negro naquela época. A Rússia achava que saíra lucrando, os Estados Unidos sabiam perfeitamente que a URSS jamais teria condições de aproveitar-se eficientemente de todos aqueles recursos naturais e de modernizar aqueles países. Basta lembrar que a Angola Comunista acabou tendo que vender o seu Petróleo (estatizado) para os E.U.A...

No Brasil, a camarilha civil-militar passou a mandar e desmandar, com pleno apoio dos Estados Unidos.

Enfim, entre os méritos da Revolução de 64, reconheço o de impedir a divisão do Brasil e o avanço do comunismo em nosso País.

sábado, 14 de agosto de 2010

O SEPARATISMO, ADVERSÁRIO DO INTEGRALISMO

Sérgio de Vasconcellos.

Ao longo de toda a História do Brasil, forças centrípetas e centrífugas sempre se fizeram sentir. As centrífugas, isto é, aquelas que tendem a desunir o Brasil, a destruí-lo, são internas e externas.

O separatismo é um dos mais perigosos inimigos do Brasil e um dos piores adversários do Integralismo. É uma das forças centrífugas da História do Brasil. Mas, apesar de seu caráter interno, todas as vezes que se manifestou em atos, teve vigoroso apoio de Potências Internacionais, interessadas em destruir a nossa coesão nacional.

O Integralismo posicionou-se contra o separatismo desde a sua Fundação, como se pode constatar no Manifesto de Outubro.

O separatismo aproveita-se dos momentos mais graves de crise nacional, como esse que estamos atravessando, para, através de argumentos econômicos, sociais, políticos e sentimentais, insuflar e difundir sua ideologia anti-Brasil. O Capitalismo Financeiro Internacional custeia essa propaganda, inclusive, financiando “estudos” que demonstram “cientificamente”, que será melhor para todos os Brasileiros, que o Brasil, como o herdamos de nossos antepassados, desapareça do cenário político mundial, dando lugar a meia dúzia de nações nanicas, mas, “prósperas”. Muitos Brasileiros - poucos, felizmente - deixam-se embair por esse canto de sereia.

É comum, também, que os separatistas apelem para exemplos da História Mundial recente, como a Tchecoslováquia, a Iugoslávia e a extinta União Soviética. Ora, esses exemplos não têm qualquer analogia com o Brasil, afinal somos uma SÓ NAÇÃO, desde a Independência. Enquanto que a Tchecoslováquia e a Iugoslávia foram Estados criados artificialmente pelas Potências Ocidentais, após a 1ª Guerra Mundial. Com o fim do Totalitarismo Marxista nesses Estados, as várias nacionalidades que os compunham, finalmente, puderam se auto-determinar, isto é, criaram seus próprios Estados Nacionais. Com a Rússia deu-se o mesmo, com a “débâcle” do regime Totalitário Marxista, diversas Nações que até aí estavam escravizadas, libertaram-se e fundaram seus Estados Soberanos. Como se vê, nada parecido com a nossa História, não existindo qualquer analogia possível que justifique o separatismo de alguns poucos maus Brasileiros.

Reconheço que o separatismo é um fenômeno de dor: Diante do aterrador quadro da miséria que se alastra avassaladoramente por toda a Nação, inúmeros Brasileiros, pressentindo que a crise se abaterá sobre os seus, que a pobreza aproxima-se com todo o seu cortejo de iniqüidades, tomados, possuídos pela dor e pelo medo, esquecem-se dos
vínculos de solidariedade nacional que deveriam unir todos os Brasileiros nos momentos de crise, e propõem como remédio aos problemas nacionais, secionar o País, dividi-lo, esquartejá-lo - o quinto País em extensão territorial, o quarto em área contínua, o primeiro em ecúmeno -, acreditando que a fonte dos nossos problemas são áreas nacionais hoje empobrecidas, que o restante da Nação têm que carregar nas costas. No entanto, esquecem-se esses Brasileiros separatistas que, outrora, essas áreas hoje depauperadas eram as principais produtoras de riquezas para o Brasil, e que transferiram muita renda para todas as regiões do País, esquecem-se que os Brasileiros que vivem nessas regiões são as grandes vítimas da situação e não os criminosos... Mas, então, quem são os responsáveis? As oligarquias que governam o Brasil e que teimam em manter um regime inadequado à realidade nacional e totalmente divorciado dos interesses do nosso Povo. Infelizmente, os Brasileiros separatistas, portam-se com os demais Brasileiros, como um indivíduo egoísta, que vendo um outro tombado na calçada, passando mal, simplesmente vira as costas e afasta-se rapidamente, pensando com os seus botões: isso não é problema meu...

O separatismo não é solução para os problemas nacionais, é um suicídio. Julgo muito mais acertado que sejam examinadas novamente as propostas de re-divisão territorial do País, isto é, aumentar o número de Estados, mas, dentro de critérios rigorosamente científicos, como os propostos por um autêntico Integralista, o Prof. Everardo Backheuser, Pai da Geopolítica Brasileira. O aumento do número de Estados, com a extinção de todas as unidades federadas hoje existentes traria ainda como uma de suas conseqüências benéficas, a destruição lenta e gradativa de todos os pruridos regionalistas e bairristas, que são um permanente caldo de cultura do separatismo.

O separatismo, na verdade, vai ao encontro dos interesses do Capitalismo Internacional, que outra coisa não deseja que a extinção do Brasil, a sua transformação em meia dúzia de republiquetas caricatas, como ele conseguiu fazer com a América de fala espanhola, frustrando os planos de Bolívar para a unidade continental da América do Sul. Esta, que teve um passado colonial de fausto, hoje está fragmentada, dividida em algumas meras repúblicas das bananas, onde os estadunidenses mandam e desmandam. Felizmente, no alvorecer da sua independência política, o Brasil teve um estadista do quilate de Dom João VI, que contrariou os planos da maçonaria e do Banqueirismo Internacional, e por isso é tão vilmente caluniado e reduzido a mero gordalhão, comedor compulsivo de franguinhos e inimigo nº1 do banho...

A internacionalização da Amazônia e o restante do País retalhado em quatro “nações” - tudo com o apoio da ONU e seu conceito “sui generis” de auto-determinação, que vimos pelas intervenções estadunidenses na Bósnia, no Iraque, no Afeganistão, etc., o que de fato significa... - é o grande projeto do Banqueirismo Internacional para o Século XXI. Para controlar militarmente a colcha de retalhos que será a América do Sul - uma vez que o Brasil esteja esfacelado -, os EUA instalou, em 2008, uma poderosíssima Base Militar no Paraguai, coração geopolítico do continente, com a cumplicidade criminosa do atual governo de Assunção, que com esse gesto de traição hipotecou não só o futuro do Paraguai como Nação soberana, mas, o de todas as Nações Sul-americanas. E, agora, vai os EUA se instalando na Colômbia, para garantir militarmente que a internacionalização da Amazônia pela ONU seja obedecida.

Todavia, o separatismo não vingará no Brasil, pois, o Integralismo e as demais forças centrípetas ainda atuantes saberão manter a unidade nacional. Todos os projetos anti- Brasil, internos ou internacionais serão derrotados pelo Sigma.

O Integralismo, a mais orgânica e legítima das Forças Vivas da Nação, a mais telúrica das forças centrípetas de nossa História, continuará em sua Marcha através do futuro, pois, com ele, marcham a Consciência da Nação e a Honra do Brasil.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O Integralismo e a Revolução Comunista de 1935

Sérgio de Vasconcellos

Ao Companheiro Valmir Soares Jr.

Nos dias finais de Novembro de 1935, vivendo o Brasil em plena Democracia, sob a égide da Constituição social-democrática de 1934, alguns Brasileiros, civis e militares, magnetizados pelo marxismo-leninismo – uma ideologia estrangeira, internacionalista, imperialista, materialista, totalitária e anti-democrática -, desfecharam um golpe revolucionário visando destruir as liberdades públicas e instaurar um Estado Totalitário. Tal revolução, mais conhecida pelo antipático nome de “Intentona Comunista”, custou a vida de dezenas de Brasileiros – muitos dos quais Integralistas -, e que teve sua nada heróica culminância no episódio tristemente célebre do 3º RI, na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, quando militares comunistas assassinaram covardemente colegas de farda ainda dormindo.

Apesar de toda a articulação - secreta e de procedência internacional -, a insurreição bolchevista estourou apenas nas cidades de Natal, Recife e Rio de Janeiro, malogrando inteiramente. Ora, qual a principal razão do fracasso comunista?A ação fora minuciosamente concebida e a certeza de seu sucesso era tão grande, que Stálin enviou ao nosso País três comunistas de sua inteira confiança – que seriam os verdadeiros governantes do Brasil, agindo por trás de Luís Carlos Prestes, o líder oficial – Harry Berger, a esposa deste (Elise) e Olga Benário, que ao contrário da vulgata romântica, não se uniu a Prestes por “amor”, mas por ordem do Komintern...

Se formos ouvir os discursos nas Comemorações oficiais do esmagamento do levante e de Homenagem aos seus Mortos, teremos a impressão que foi a pronta reação das Forças Armadas que impossibilitou o sucesso comunista. Por mais que nos desagrade desmentir as Autoridades Nacionais, particularmente, as das nossas Forças Armadas, que desde a Guerra Holandesa só tem honrado o Brasil, infelizmente, somos obrigados a dizer em nome da Verdade que, a versão oficial é falsa e que as explicações que até aqui têm sido dadas pelos historiadores para a derrota comunista em 1935, salvo as honrosas exceções de praxe, são insuficientes e equivocadas.

Então, perguntar-me-ão, afinal, qual é a Verdade? Respondo:

A principal razão para o total fracasso da Revolução Comunista de Novembro de 1935 chama-se... INTEGRALISMO!

Se os Militares chamam para si a inteira responsabilidade da vitória da legalidade, se os historiadores, em sua maioria, desconhecem os acontecimentos, isto não altera a substancialidade do fato histórico. Os Integralistas, os únicos Brasileiros que pressentiam estar sendo algo tramado contra o Brasil pela 3ª Internacional, foram os primeiros a opor-se ao levante comunista, inclusive apresentando-se em instalações militares – quando a cadeia de comando e comunicação do Exército estava completamente rota -, o que impediu que diversas unidades militares fossem tomadas ou sublevadas pelos Vermelhos, como por exemplo, meu Tio, Geraldo de Paula Lopes, a frente de um Grupo de Integralistas no Quartel de Campinho, no Rio de Janeiro.

Todavia, a Heróica iniciativa dos Integralistas, que foi seguida pela ação de outros civis patriotas e finalmente pelas Forças Armadas, não teria talvez logrado o êxito obtido se muito antes de 1935, o Integralismo, não tivesses se lançado a tarefa de esclarecer o Povo Brasileiro e construir uma consciência cívico-política. Graças ao metódico trabalho da Acção Integralista Brasileira foi quase que por completa anulada a infiltração marxista nos Quartéis, o que privou a Revolução Comunista de elementos humanos preciosos, sem os quais a Revolução Vermelha já estava fadada ao fracasso.

Curiosamente, se Militares e Historiadores ignoram ou fingem ignorar a participação vital do Integralismo no debelamento da revolta marxista, os derrotados, isto é, os Comunistas, reconhecem-na lealmente, o que se comprova por uma Carta-Circular de 1936, em que Prestes explicava o insucesso e, entre outras coisas, dizia:

“Eu pensava agir de outro modo bem diferente” – refere-se à revolução comunista de 1935 – “como já tinha tido oportunidade de me manifestar aos camaradas mais chegados, PRINCIPALMENTE DEPOIS DO FENÔMENO INTEGRALISTA, que escapou por completo às minhas cogitações. Informei em sessão secreta do Comintern que, antes de tentar qualquer golpe no Brasil, era necessário:

“(...).

“3º) – EXTINGUIR OU PELO MENOS ENFRAQUECER O INTEGRALISMO”.

O próprio Dimitroff o reconheceu:

“Não foi possível vencermos no Brasil porque tivemos a leviandade de subestimar a força e a influência que o Integralismo representava”.

Então, Dimitroff expede novas instruções gerais, em 1936:

“1 – Exercitar as massas populares no movimento anti-nacionalista (fascismo, nazismo, “Croix du Feu”, INTEGRALISMO e outras organizações anti-comunistas); atrair para essa luta a pequena burguesia(classes liberais), reservando-lhes um lugar para as reivindicações que tiverem, na frente-popular democrática.

“(...)”.

Enfim, o malogro da Revolução Comunista acabou por originar a seguinte diretiva, também de Dimitroff, que é seguida maquinalmente até hoje pelos comunistas e pela burguesia apátrida:

Concentrant lê feu contre “les chefs” intégralistes et la politique hitlerienne du gouvernement, soulignant que ces “chefs” sont des agents des groupes les plus réactionnaires de l’impérialisme, il faut partout lutter pour lê front démocratique national-libérateur, surtout à la base y compris celle de l’Action Integraliste. Il faut mobiliser les masses pour qu’elles exigent des deux candidats (Armando Salles et José Américo) non des phrases vides pour la “démocratie”, mais une attitude nette devant les problèmes concrètes de la démocratization du pays, qui exige, pour commencer, la libération de Prestes e de sés compagnons, leur amnistie totale, l’établissement d’um regime de libertes démocratiques, etc”.

Traduzindo para o nosso idioma a parte que mais nos interessa desse precioso documento:

Concentrando o fogo contra “os chefes” integralistas (...), sublinhando que esses “chefes” pertencem aos grupos mais reacionários do imperialismo, lutar em toda a parte pela frente democrática nacional-libertadora, principalmente na base, incluindo a luta contra a Ação Integralista.(...)”.

Σ

Todas estas reflexões de caráter histórico são importantíssimas, quando sabemos que o marxismo – que muitos bisonhos acham que desapareceu com a sinistra União Soviética – está conspirando ativamente para instaurar no Brasil um Estado Totalitário, com o seu cortejo de horrores. Hoje, mais do que nunca, o Brasil necessita dos Integralistas, e que o exemplo dos Companheiros que nos antecederam na Revolução Integralista nos sirva de seguro farol de orientação na nossa luta por Deus, pela Pátria e pela Família.

BIBLIOGRAFIA:

1 – Custódio de Viveiros

“Os Inimigos do Sigma”

Rio de Janeiro – Livraria H. Antunes – 1936 – 200 págs.

2 – Plínio Salgado

“O Communismo contra o Brasil”

Rio de Janeiro – s/ed. – 1937 – 31 págs.

3 – Plínio Salgado

“Páginas de Combate”

Rio de Janeiro – Livraria H. Antunes – 1937 – 189 págs.

4 – Plínio Salgado

“Discursos(1ª Série – 1946/1947)” – 1ª edição

São Paulo – Cia. Ed. Panorama – 1948 – 190 págs.

5 – Plínio Salgado

“O Integralismo perante a Nação” – 4ª edição

em

“Obras Completas de Plínio Salgado” – vol. 9.

São Paulo – Editora das Américas – 1955 – 423 págs.

6 – Plínio Salgado

“Doutrina e Tática Comunistas (Noções Elementares)” – 1ª edição

Rio de Janeiro – Livraria Clássica Brasileira – 1956 – 155 págs.

7 – Plínio Salgado

“Livro Verde da Minha Campanha” – 2ª edição

Rio de Janeiro – Livraria Clássica Brasileira – 1956 – 270 págs.

8 – Plínio Salgado

“Palestras com o Povo

“(Irradiações do programa das terças-feiras na Rádio Globo em 1957 e 1958)”

Rio de Janeiro – Livraria Clássica Brasileira – 1959 – 195 págs.

9 – Plínio Salgado

“O Integralismo na Vida Brasileira”

Rio de Janeiro – Edições GRD/Livraria Clássica Brasileira – s/d – 269 págs.

“Enciclopédia do Integralismo” – Vol. I

10 – Plínio Salgado

“Discursos Parlamentares”

Seleção e introdução de Gumercindo Rocha Dorea

Brasília – Câmara dos Deputados – 1982 – 982 págs. – il.

Perfis Parlamentares – vol. 18.