quarta-feira, 14 de julho de 2010

O Integralismo e as Religiões

Sérgio de Vasconcellos

Obviamente um tema conexo ao de Deus é o da Religião. Quase todos os pseudo-Integralistas e neo-Integralistas atacam as Religiões. Faz-se assim necessário também aqui aclarar a questão.

O Integralismo não combate religiões. Eis o que diz o Documento Oficial “Diretrizes Integralistas”:
“XVI) - O Integralismo, visando promover o aperfeiçoamento moral e espiritual da Nação, declara-se pelo espiritualismo contra todas as correntes materialistas de pensamento e de ação, que acobertadas pelo liberalismo, vêm exercendo a sua obra nefasta de desintegração de todas as forças vivas da Pátria.
“XVII) - Dentro deste critério, o Integralismo propõese respeitar integralmente, a liberdade de consciência e garantir a liberdade de cultos desde que não constituam ameaça à paz e à harmonia social.”

O Integralismo é definidamente Cristão, realmente. Todavia, o Integralismo é uma Frente Ampla Espiritualista, onde podem ingressar Brasileiros de todos os credos religiosos. Como Frente Ampla Espiritualista, reunindo Cristãos e não-Cristãos, num amplo Ecumenismo, o Integralismo combate ativamente o Materialismo avassalador do Mundo Moderno, isto é, o Capitalismo e o Marxismo (as formas mais preponderantes de Materialismo hoje).

Assim, o Integralista pode pertencer àquela Religião que julgar a verdadeira, Cristã ou não-Cristã.

Este Ecumenismo amplo do Integralismo foi muito criticado na década de 30 por muitos Católicos, mas, ele tem apoio em duas Encíclicas do Papa Pio XI. Hoje, critica-se uma suposta dependência do Integralismo ao Catolicismo... , dizem que é um absurdo os Católicos submeterem-se à Infalibilidade Papal e por aí vai o besteirol. Pois bem, gostem ou não os pretensos Integralistas, os Católicos têm tanto direito de participar do Integralismo, quanto os membros de quaisquer outras Religiões. O próprio Chefe Nacional Plínio Salgado era Católico, como todos sabem, e jamais saiu criticando outras Religiões, mesmo tendo escrito diversos livros de caráter religioso, como “Vida de Jesus”, “São Judas Tadeu”, “A Tua Cruz, Senhor!” e outros. Por outro lado, é verdade que alguns Católicos que compreendem equivocadamente o chamado Tradicionalismo Católico, negam o Nacionalismo e defendem um mero Patriotismo (Gustavo Corção, para citar um exemplo conhecido), mas, essa é a posição de uma suposta corrente Católica e não do Catolicismo. O Integralismo foi elogiado por inúmeros Bispos e líderes do laicato Católico, o que não ocorreria se houvesse uma contradição entre Integralismo e Catolicismo. Um Católico pode ser Integralista, não havendo conflito algum para a sua consciência.

Desde os anos 30 é terminantemente proibido discutir-se Religião no Integralismo, para que nenhum Companheiro se sentisse ofendido na sua crença mais importante, afinal, repito, somos uma Frente Ampla Espiritualista visando o combate ao materialismo em todas as suas formas.

Uma última observação: É possível que algum leitor esteja pensando, “não sou materialista, pois sou completamente desapegado aos bens materiais, porém, sou ateu, não acredito em Deus”. Ao ilustre leitor que assim esteja raciocinando, digo,inicialmente, que é moralmente louvável um tal desapego aos bens materiais, porém, não é disso que estou falando.

O Integralismo utiliza-se do conceito filosófico de materialismo, isto é, materialismo é aquela concepção de que nada existe no Universo além do plano material, tudo se originando e se explicando pela própria Matéria. Ora, o Integralismo rejeita esta concepção reducionista da Realidade e afirma que além da Matéria existe o Espírito, afirmando a existência de Deus, a Divina Providência interferindo na História, a imortalidade da Alma Humana.

Ser materialista é não crer em Deus, apenas na Matéria.

É imprescindível ao Integralista a crença em Deus. É claro que o Integralismo não proíbe ninguém de ser ateu, mas, nas fileiras do Sigma, os ateus e agnósticos não são aceitos, pois nossa Doutrina baseia-se numa nítida concepção espiritualista do Universo e do Homem, da qual decorre necessariamente todo o restante dos nossos postulados teóricos.

7 comentários:

  1. Olá, bom pode parecer estranho mais gostaria de agradecer, pois estou fazendo um trabalho sobre o integralismo e gostei muito do seu site e esta materia foi imprensidivel.
    tenho grande simpatia pelo integralismo
    Anauê camarada

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  2. É uma pena, pois sou ateu, mas sou conservador, gosto da ética e moral cristão, mas não acredito em Deus, até por isso me afastei dos Centros Culturais Integralistas. Tenho forte apreço por toda ideologia, mas não posso ser hipócrita e dizer que acredito em Deus. Sem mais. Pelo bem do Brasil.

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  3. É uma pena mesmo, eu sou ateu e conservador, simpatizo muito com o integralismo, mas como o amigo disse, não da pra ser hipócrita e dizer que acredito em deus.

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  4. Como os dois companheiros acima sou ateu e conservador. Acho que o Integralismo deveria renovar-se e começar a aceitar os companheiros ateístas. Anauê!

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  5. Srs.
    A Crença em Deus é basilar no Integralismo.
    Anauê!
    Sérgio.

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    1. Caro Sérgio,
      é fato que a crença em deus é basilar, do mesmo jeito que a doutrina social é, historicamente católica. Contudo, outras vertentes do organicismo não possuíam essa exclusão de ateus e agnósticos, motivo pelo qual a versão brasileira, certamente, deve perder muitos adeptos. A proposta de um integralismo ao molde dos anos 30 foge, contudo, aos desenvolvimentos posteriores à esta década. Movimentos de ideologia similar, ganham maior poder de ação, justamente por se renovarem.

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    2. Os movimentos surgidos nesta época, de ideologia similar, também não eram considerados conservadores, radicais de direita ou outras inverdades propagadas pela mídia. Esse rótulo lhes foi atribuído posteriormente, com que intuito tal fato ocorreu, seria motivo de excelente análise.

      Um Historiador.

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