domingo, 3 de junho de 2012

O SIGMA


Bandeira da Frente Integralista Brasileira


Sérgio de Vasconcellos

Como pôde o Integralismo, um Movimento político de tão intenso nacionalismo, de tão arraigado nativismo, adotar como seu símbolo uma letra estrangeira, o Sigma, que é grego?(1)
Contam-nos o Chefe Nacional Plínio Salgado(2) e Olbiano de Mello, que a sugestão do Sigma partiu do escritor Dr. Arthur Mota. Deixemos falar Olbiano de Mello:
“Uma tarde o Chefe avisa-nos que no Clube Português a AIB realizaria uma nova reunião.
“Se não nos enganamos, a segunda franqueada ao público depois de sua instalação. Marcada a noite, Paranhos toma-nos na residência do Dr. Arnaldo Amado Ferreira, ali pelas imediações da Avenida Paulista, onde nos achávamos hospedados. Ao entrar para o automóvel, nele se achava um outro passageiro. Tratava-se do Dr. Arthur Motta, historiador residente na Capital. Ia também, a convite de Paranhos, assistir a reunião.
“No Clube, depois que fizemos a leitura de um trabalho nosso – Paranhos saúda, na pessoa de Arthur Motta, o sociólogo e o matemático. E este, agradecendo, num improviso feliz, afirma: “que, ele matematicamente, bem compreendeu que somente seria num sigma político, formado por todos os valores diferenciais da Nação, que o Brasil acharia salvamento.
“Terminada a sessão, espalhamo-nos, aos grupos, pelas redondezas da sede daquele Clube. E mais tarde, quase à uma hora da manhã com Leães num café da rua Líbero Badaró – depararam-se-nos Casali, Reale e Igáyara de lápis em punho, a desempenhar, numa folha de papel a atual letra simbólica do Integralismo.
“Discricionariamente já haviam abandonado o modelo de distintivo que estávamos estudando em nossas reuniões na Rua Brigadeiro Luiz Antonio e, inspirados na frase de Arthur Motta, fixaram esta letra grega como a expressão integral de nosso pensamento doutrinário. Nasceu assim, noite alta, modesta e simplesmente numa mesa e no meio barulhento de um café paulistano – o Sigma Brasileiro”.(3)
Seu uso, no Distintivo e Bandeira, foi estabelecido nos três Estatutos da antiga e gloriosa Acção Integralista Brasileira.(4) Mas, é nos “Protocollos e Rituaes da A.I.B” –Capítulo III – Dos Symbolos – O Sigma -, que achamos uma exposição mais minuciosa:
Art. 12º - O sigma é o sinal simbólico do Movimento Integralista (Veja-se desenho com dimensões proporcionais  no “Monitor” nº9).
“ – É uma letra grega que corresponde ao nosso “S” e indica soma;
“ – Leibnitz escolheu-a para indicar a soma dos infinitamente pequenos;
“ – É a letra com a qual os primeiros cristão da Grécia indicaram a palavra “Deus”;
“ – É o nome da Estrela Polar do hemisfério sul.
“ – Ela lembra que o nosso Movimento é no sentido de integrar todas as Forças Sociais do País na suprema expressão da Nacionalidade.
“O Sigma maiúsculo foi preferido ao minúsculo por uma questão estética”.(5)
Gustavo Barroso nos diz quase o mesmo:
“O Sigma.
“É a letra grega escolhida por Leibnitz para indicar a soma dos finitamente pequenos.
“É também a letra com que os primeiros Cristãos na Grécia indicavam Deus e servia de sinal de reconhecimento, porque a palavra Sóteros o Salvador, começa por um Sigma e termina por um Sigma.
“É, enfim, a letra que designa a Estrela Polar no hemisfério sul, onde fica situado o nosso País.
“Assim, o Sigma, símbolo da nossa Idéia Integral está na ciência, está na tradição religiosa de nossa civilização cristã – e está nas próprias estrelas do nosso firmamento”.(6)
Contudo, contradizendo a opinião geral, afirmamos que o Sigma não é de origem grega, mas puramente brasileiro. Mesmo que Wenceslau Júnior, Olbiano de Mello, Gustavo Barroso e outros teóricos do Movimento tenham acreditado que fosse uma letra grega, desconhecendo sua verdadeira procedência, isto não altera o fato do Sigma ser um símbolo genuinamente nacional.
Já se foi o tempo em que era inquestionável a opinião de que as nossas populações indígenas teriam emigrado de outras terras – Europa, Ásia, África e Oceania -, das quais seriam originárias, e povoado o continente americano.
O Brasil foi o primeiro continente a emergir do oceano primevo que cobria todo o planeta. Aqui foi criado o Homem e surgiram as mais antigas Civilizações. Nossos índios não são seres primitivos, no início da evolução, como querem alguns, mas descendentes de vetustas civilizações, que após magnífico apogeu, entraram em irremediável decadência. Os vestígios e as provas da existência destas civilizações são inúmeros e, creio, irrespondíveis.
Logicamente, a escrita também teve aqui o seu surgimento. Não iremos discorrer sobre as várias etapas da evolução – mnemônica, figurada ou pictográfica, ideográfica, silábica e alfabética – porque passou esta Escrita-Mãe.
Na verdade, o Sigma é o desenvolvimento de um antiquíssimo símbolo, usado por nossos ancestrais desde tempos remotíssimos, como o atestam milhares de inscrições rupestres (itacoatiáras) existentes no Brasil, onde aparece, e daqui levado por nossos antepassados, quando foram conquistar e povoar os outros continentes.
Também não trataremos das fases evolutivas do Sigma. Ressaltamos que na origem desta evolução encontramos o signo representativo do relâmpago, do raio, do trovão e, por extensão, de senhorio, força, poder; e o signo da cobra, símbolo do poder criador, da criação, da força, do domínio, do poderio, da grandeza, e, ainda de chefe, rei.
         Como e quando se fundiram os símbolos do Trovão (Tupan) e da Cobra (Mbóia)? Na noite dos tempos, nossos maiores observaram a analogia entre o caminho percorrido no céu pelo relâmpago e os coleios da cobra em terra, fundindo os dois mitos.
   É conhecida a importância e a sacralidade do Trovão e da Cobra, como símbolos mágicos e religiosos, em todo o mundo. O estilizado Sigma, reunindo-os, superou-os em significado místico.
Assim, além daquele correto e evidente sentido assinalado por Barroso e pelos “Protocolos”, o Sigma, no simbolismo dos Tupis, representa a Divindade Suprema, a Criação, a Transformação, o Poder, a Realeza, a Força Universal e, surpreendentemente, o próprio Brasil.
Curioso que, no Esoterismo Judaico, a letra Shin guarda quase o mesmo significado do nosso Sigma, do qual é derivado, apesar dos milênios que separam a Cabala de sua Matriz, o Esoterismo Tupi.
É provável que os primeiros Integralistas ignorassem o significado profundo do Sigma, mas as forças ocultas da Raça, que jazem no nosso inconsciente, o impuseram. Este sagrado símbolo nos acompanha desde o início de nossa marcha revolucionária e estará presente na hora de nossa vitória que, conhecendo as poderosas forças cósmicas e psíquicas que estão em jogo e são representadas pelo Sigma, está mais próxima do que imaginamos.
            Anauê!

NOTAS:
1) Publicado originalmente em “Renovação Nacional” – Rio de Janeiro - Ano XXI – Nº 72 – Out./Dez. de 1988 – pág. 6.
2) Plínio Salgado – “Um Homem Sincero” (artigo).
3) Olbiano de Mello – “Razões do Integralismo” – 1ª ed. – Schimidt, Editor – Rio de Janeiro – 1935 – págs. 79 e 80.
4) “Estatutos da Acção Integralista Brasileira” (1933) – Título III – Do Patrimônio, do Distinctivo e da Imprensa – art. 18º;
“Estructuração do Movimento Integralista – Estatutos da Acção Integralista Brasileira”(1934) – Capítulo XI – Da Bandeira e do Distinctivo – arts. 53, 54 e 55; e,
“Estatutos da Acção Integralista Brasileira” (1935) – Capítulo XI – Da Bandeira e do Distinctivo – arts. 53, 54 e 55.
5) “Protocollos e Rituaes da A.I.B.” – Art.12º, em Monitor Integralista – Nº 18, de 10-4-1937, pág. 3.
6) Gustavo Barroso – “O que o Integralista deve saber” – Civilização Brasileira – Rio de Janeiro – 1935 – pág. 147.

sábado, 2 de junho de 2012

INTEGRALISMO E OBJETIVIDADE

Sérgio de Vasconcellos.

Em inúmeras passagens de sua Obra, Plínio Salgado chama a nossa atenção para que coloquemos o “sentimento” em tudo o que pensamos e fazemos(1), mas, isto não significa que o Integralista se guia por algum sentimentalismo barato ou um emocionalismo de ocasião, e, sim, impedir que um excessivo e frio intelectualismo nos separe da Vida e nos torne indiferentes ao sofrimento do nosso Próximo, dos milhões que passam fome e vegetam na miséria material, intelectual e moral. No Integralismo, portanto, a razão não está desconectada do sentimento. E este sentimento não deve ser visto como alguma forma de subjetivismo em que o Integralista fique enclausurado, pois, a objetividade é fundamental para o Integralismo.
A objetividade, para nós, não é mero registro ou catalogação das impressões recebidas do exterior. Sem negar a necessidade da experiência, o Integralismo rejeita o empirismo. Para o Integralismo, a objetividade é a adequação entre o intelecto e a realidade. Em sendo assim, dirige-se àquilo que é essencial e perene, e, não negando a validade de perspectivas parciais, recusa o fragmentário, pois, como o seu próprio nome indica, o Integralismo, enquanto Filosofia, orienta-se até à Verdade, a Verdade Integral, só possível através da Síntese.
Não por acaso – afinal, “Deus dirige os destinos dos povos”(2) – o Integralismo surgiu no Brasil – “o Último Ocidente e o Primeiro Oriente”(3) -, propondo uma “Palavra Nova dos Tempos Novos”(4), não a impondo a quem quer que seja, mas, pretendendo criar um ambiente em que seja livre e conscientemente aceita. Trata-se, portanto, sim, de uma Revolução, não pela violência e supressão dos opositores, mas, pelo convencimento. O Integralismo é um vasto Movimento Pedagógico, que visa reeducar o Brasil e o Mundo à luz de Ideias generosas e puras e que podem ser resumidas no nosso sagrado lema: “Deus, Pátria e Família”.


1) Por exemplo, em SALGADO, Plínio. Código de Ética do Estudante. Nova Friburgo: Tipografia Carestiato, [s.d.]:  “XXIV – Sê um homem de pensamento, mas se um homem de ação. O pensamento para transformar-se em ação precisa, primeiro, transformar-se em sentimento. Ideia que não é sentida é ideia morta. A ação é forma objetiva de ideias vivas, oriundas de realidades e criadoras de novas realidade. Cultiva o ideal, mas, se realista.” Pág. 6.
2) SALGADO, Plínio. Manifesto de Outubro. Varginha: [s.ed.], 1988. Capítulo I – Concepção do Universo e do Homem – pág. 1.
3) SALGADO, Plínio. Palavra Nova dos Tempos Novos. 3. ed. São Paulo:  Panorama, 1937; pág. 121 e segs.
  SALGADO, Plínio. Sol Nascente e Último Ocidente. Brasília: Câmara Federal, 1967.
4) SALGADO, Plínio. Palavra Nova dos Tempos Novos. 3. ed. São Paulo: Panorama, 1937; pág. 7 e segs.

sábado, 26 de maio de 2012

A CONCEPÇÃO INTEGRALISTA DA SOCIEDADE


Sérgio de Vasconcellos.

Três são os conceitos de Sociedade que modernamente predominam: O Individualismo, o Coletivismo e o Grupalismo.(1)
O Individualismo, concepção adotada pelo Liberalismo, afirma que a Sociedade é composta por Indivíduos, livres e iguais, que, em remoto estado de natureza, firmaram entre si, espontaneamente, um “contrato social”, onde abriram mão de reduzida parcela da liberdade absoluta que desfrutavam, recebendo em troca certas vantagens, como proteção e preservação dos interesses individuais pelo Estado contra possíveis ameaças do exterior e/ou do interior da Sociedade.
O Estado, para o Liberalismo, é um mal necessário, devendo ter funções mínimas, tais como aquelas não lucrativas e que, por conseguinte, não atraem o interesse dos indivíduos, mas que são essenciais às atividades econômicas, etc. Pretendendo proteger a liberdade e igualdade dos Indivíduos, entre estes e o Estado, não admitia a existência de quaisquer Grupos ou Corpos Intermediários, Associações – mesmo religiosas -, pois, tais organizações significariam uma restrição parcial da liberdade individual. Os próprios Partidos Políticos, considerados órgãos de expressão da Democracia Liberal, não tinham existência jurídica; existiam de fato, mas não de direito. Nenhuma Constituição Liberal, por todo o Século XIX, época de ouro do Liberalismo Político, consagrou sequer uma linha aos Partidos, só o Indivíduo era reconhecido. Aliás, só por razões técnicas o Estado tinha um estatuto jurídico. Foi no vácuo criado por esta atomização da Sociedade que a Burguesia chegou ao poder, tornando-se a classe dominante.
É do conhecimento geral o que resultou da pretensa liberdade e igualdade entre os Indivíduos: Ficou só no papel. Concretamente, as desigualdades eram gritantes. A iniciativa privada sem nenhuma limitação, sem qualquer preocupação de ordem social ou moral, objetivando unicamente o lucro, desculpada pelo Liberalismo Econômico através das famigeradas Leis Naturais da Economia; o completo abandono dos desafortunados, sem direito a organizarem-se para a defesa de seus interesses; e, um Estado Neutro impossibilitado de interferir nas questões sociais e econômicas, e de exercer funções industriais e comerciais; redundaram na mais desenfreada exploração dos economicamente fracos pelos economicamente fortes.
O Liberalismo Político, em sua acepção clássica, já não mais existe. O Capitalismo Liberal travestiu-se de “neocapitalismo”, com umas tinturas sociais, e forjou uma falsa Democracia Social que hoje vigora em todo o Mundo Ocidental. Mas, como demonstrou Plínio Salgado, a Burguesia não é apenas a classe dominante, porém, um estado de espírito, que atualmente penetra e corrompe todas as classes sociais, daí a razão pela qual a arcaica ideologia liberal ainda seduz tantos intelectuais, que levam a sério as suas obsoletas formulações sociológicas.
O Coletivismo, reagindo contra os excessos do Individualismo, acabou caindo no extremo oposto, não reconhecendo no Homem qualquer outro fim que não fosse a própria Sociedade, que o absorve inteiramente.
O Marxismo-Leninismo, desejando eliminar as desigualdades sociais e econômicas, nos países em que chegou ao poder, expropriou, em nome da coletividade, todos os meios de produção e serviço, que passaram a ser propriedade exclusiva do Estado, controlado pelo Partido Único, o Partido Comunista. É a “ditadura do proletariado”, ou melhor, a ditadura sobre o proletariado. Eliminou-se a liberdade por  completo e o igualitarismo não foi atingido, pelo contrário, na União Soviética, por exemplo, a nova classe, isto é, os burocratas do regime gozam de privilégios em nada inferiores aos da antiga aristocracia russa.
Em Sociologia, as teses marxistas, apesar do seu bolor, são acatadas por muitos espíritos desavisados, que defendem fanaticamente seu caráter “científico”. O certo, porém, é que o Socialismo, fruto típico do século passado(2), materialista, unilateral, está completamente ultrapassado e só sobrevive por ser a superestrutura ideológica que justifica o mais agressivo expansionismo nacionalista já registrado pela História, o Imperialismo Russo, não fosse isto e ninguém falaria mais dele.
O Grupalismo, por sua vez, assevera que a Sociedade é constituída por Homens e Grupos Naturais e é esta a concepção adotada pelo Integralismo.
O Homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. É composto de corpo e alma, com dupla destinação natural e sobrenatural, com direitos e deveres na sua tríplice esfera de atividades materiais, intelectuais e espirituais.
A sociabilidade é inata no Ser Humano, que tende, naturalmente, a reunir-se com outros Homens para alcançar interesses e fins comuns, cuja consecução seria impossível isoladamente. Assim, surgem necessariamente os Grupos Naturais – a Família, o Grupo Profissional, o Grupo Cultural, o Grupo Político, o Município, a Nação e a Sociedade Religiosa -, independendo, pelo menos em parte, da vontade do Homem. Os Grupos Naturais são os instrumentos pelos quais o Homem busca sua integral realização e, em especial, seu fim último – Deus.
O Estado Integral, a Nação organizada moral, política e economicamente, reconhecerá a legitimidade dos Grupos Naturais da Sociedade, inclusive, o direito de representação política, instaurando a autêntica democracia, a Democracia Orgânica, onde todas as forças vivas da Nação farão ouvir sua voz.


1) Publicado originalmente em “O Integralista” – Rio de Janeiro – Ano I – Nº 01 – Maio de 1989 – p. 4.
2) Referia-me ao Século XIX.

domingo, 20 de maio de 2012

JUSTIÇA


Sérgio de Vasconcellos.

Não é à toa que o Brasil é a terra dos bacharéis em Direito. Nosso Povo está fortemente impregnado de uma mentalidade jurisdicista.
Assim, é muito comum o neófito em Integralismo, escandalizado com as barbaridades, as calúnias, as inverdades que se dizem sobre o Integralismo, clamar que os deturpadores da Doutrina e História Integralistas sejam levados à barra dos tribunais, e ficam mais surpresos pela ‘indiferença’ nossa, dos mais antigos, diante das injúrias assacadas contra o Sigma. Há trinta anos quando ingressei no Movimento Integralista também ficava indignado com a mentirada sobre o Integralismo.
O Integralismo vem sofrendo uma sistemática campanha de difamação, desde 1934, quando o valoroso Gustavo Barroso, denunciou, em seu livro “Brasil, Colônia de Banqueiros”, a nossa escravização ao Capitalismo Financeiro Internacional.
De fato, os Integralistas mais experientes não cogitam de processar ninguém. É bem verdade que, pelo menos umas duas vezes estivemos perto de fazê-lo: Quando um ‘brasilianista’ – corja de pseudo-intelectuais paga por fundações estadunidenses para difamar o Brasil – caluniou o nosso Chefe, foi levantada uma vasta documentação histórica, como prova em processos que seriam constituídos contra ele, aqui e nos Estados Unidos, porém, não foi levada adiante a iniciativa; também quando um péssimo grupo de rock ‘nacional’ incluiu o nome do nosso Fundador de forma pejorativa numa de suas letras – se é que se pode chamar aquele lixo de letra -, também se cogitou de levar aqueles pobres coitados à justiça, e dessa vez também desistimos. E, perguntarão alguns, por que, se tinham provas esmagadoras? Exatamente porque seguimos o Chefe Nacional Plínio Salgado e ele orientou-nos da seguinte forma: Uma Ideia só se combate com outra Ideia. Contra a mentira, não os tribunais, mas, a verdade cristalina e pura.
Outrossim, apesar de acreditarmos na Justiça Brasileira, na honorabilidade e inteligência dos nossos Juízes – e o Integralismo é a prova viva disso, pois, temos uma vitoriosa Jurisprudência firmada nos Tribunais-, existem Juízes e Juízes... Imagine, só para exemplificar, que fossemos processar um dos detratores do Integralismo e caíssemos nas mãos de um Juiz nazistóide, ou de um liberal, de um maçon ou de um esquerdista, seria um julgamento isento, à luz das provas? Provavelmente, perderíamos a Causa. Como se diz popularmente seria pior a emenda que o soneto... Então, por uma questão de cautela e bom senso, apelar para a Justiça só em última instância...
Também os novos aderentes ao Sigma desejariam processar os “neoIntegralistas” e pseudo-Integralistas, pelas deturpações que fazem no Pensamento de Plínio Salgado. Ora, pelos mesmos motivos do parágrafo precedente isso seria pouco prudente, com a agravante de colocarmos nas mãos de não Integralistas a definição do que é ou não o verdadeiro Integralismo.
O Integralismo está perfeitamente definido nas Obras do Chefe Nacional Plínio Salgado e demais Teóricos Integralistas. Infelizmente, muitos não se dão ao trabalho de ler, de estudar a Doutrina e saem por aí falando besteiras em nome do Integralismo, fundando núcleos, etc. O problema, portanto, não é de definição, mas, de ignorância ou má-fé, e não caso de Justiça.
Outra obsessão dos novos Integralistas: Os Estatutos. Na criação de uma nova organização Integralista – ou não -, nem bem se definiram os objetivos da novel entidade e já se ouve a palavra fatídica, os Estatutos, e perde-se um tempo enorme se discutindo uma mera formalidade legal!
Ao longo de minha existência, participei da fundação e respectiva feitura de Estatutos de várias dezenas de entidades, Integralistas ou não. Estatutos não servem para coisa alguma, só garantem que uma organização está legalizada e estabelecem regras sobre filiação, eleições, etc., sendo que grande parte das disposições estatutárias é exigida pelo Código Civil e outras Leis, que não sendo obedecidos, não se registra no Cartório das Pessoas Jurídicas, uma verdadeira camisa-de-força legal, sem falar no advogado e demais custos... Há muito que me libertei da mania jurisdicista tão característica de nós Brasileiros e sonho o dia em que todo este entulho legal seja jogado numa Cloaca Máxima e substituído por uma Legislação Inteligente. O que acontece comumente no Brasil é que meia dúzia de gatos pingados se reúne, funda alguma coisa e corre para o Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Resultado, existem milhões de associações, sociedades, clubes, etc. que só existem no papel, não foram adiante. Em teoria, com a necessidade de se ajustar os Estatutos ao novo Código Civil, uma quantidade imensa delas deveria caducar, pois, tais organizações não existem de fato.
Mesmo que o Estatuto contenha uma súmula da nossa Doutrina, ainda assim não será através dele que alguém vai aprender o que é o Integralismo. Se alguém desejar saber o que é o Integralismo, deve informar-se não em Estatutos, que retratam uma realidade organizativa provisória, mas na própria Doutrina, isto é, consultando as Obras de Plínio Salgado, Gustavo Barroso, M. Reale, Tasso da Silveira, Olbiano de Mello, Custódio Viveiros, Osvaldo Gouvêa, J. Venceslau Jr., Victor Pujol, Ferdinando Martino Filho, etc. O que realmente importa é a Doutrina Integralista.
O Estatuto é apenas uma formalidade legal necessária para se abrir conta em Banco, alugar ou adquirir bens móveis e imóveis para o Movimento, etc., e olhe lá. Hoje, no Brasil, existem diversas Organizações Integralistas, devidamente registradas. Nenhuma delas tem o monopólio do Integralismo, que, enquanto Doutrina, precede e inspira a criação de tais organizações sigmáticas, e, o mais importante, não é saber se estão registradas em Cartório, e sim a qualidade da adesão ao Integralismo, e aí reside a imbatível superioridade da Frente Integralista Brasileira, que não é apenas a maior quantitativamente, mas, também, aquela que mantém uma fidelidade inquebrantável ao genuíno Pensamento do Chefe Nacional Plínio Salgado.

domingo, 13 de maio de 2012

Contextualização da Literatura Integralista


Sérgio de Vasconcellos

No seu famoso discurso de Despedida do Parlamento, Plínio Salgado, reconheceu que sua Obra estava esparsa e desconexa e urgia sistematizá-la[1]. De fato, tendo o Movimento Integralista, desde a sua Fundação em 1932, se lançado na luta pela emancipação material, intelectual e moral do Povo Brasileiro, a exposição sistemática de nossa Doutrina ficou prejudicada. No entanto, o Integralismo é um genuíno e completo Sistema Filosófico, apesar de aos olhos de muitos aparecer apenas como uma mera ideologia política, o que está longe de ser verdadeiro.
Toda a Literatura Integralista, infelizmente, ressente-se de uma ambivalência, isto é, a exposição Doutrinária vem sempre acompanhada de elementos práticos e programáticos, ditados pelas circunstâncias históricas, ou, em outras palavras, toda Obra Integralista tem, simultaneamente, uma parte essencial e imutável – a Doutrina Integralista propriamente dita -, e outra acidental, resultante da interação da Doutrina do Integralismo com a ambiência, com a conjuntura nacional e internacional, enfim, é inalterável no seu sentido estritamente teórico e mutável e modificável no restante.
Consequentemente, toda Obra Integralista deve ser tida como uma síntese provisória e incompleta da Doutrina Integralista, e cujo conteúdo foi em grande parte determinado por circunstâncias supervenientes e pelas necessidades políticas do nosso Movimento.
Acrescente-se ainda outra dificuldade: A Literatura Integralista via de regra aborda temas inusuais, ou, quando trata de assuntos da ordem do dia, a abordagem é sempre por um ângulo diferente daquele proposto pelos ideólogos burgueses (liberais e marxistas). Ora, como a maioria dos Brasileiros só sabe aquilo que a mídia burguesa difunde, isto significa que nada sabe da Verdade, não tendo autonomia, num primeiro momento, para entender o Integralismo.
Assim, quando um não Integralista ou mesmo um neófito Integralista se aproximar da nossa Literatura  deverá  ter em mente que:
1º O Integralismo é uma Doutrina autenticamente Revolucionária, totalmente diferente de tudo aquilo que conhece ou supõe conhecer.
2º Em  qualquer Livro ou Texto Integralista, paralelamente a exposição Doutrinária, de valor permanente, existe uma parte transitória, valida tão somente para o período em que foi proposta, e que para nós tem um valor histórico e, é claro, como exemplo do emprego do Método Integralista para a solução de problemas nacionais e internacionais.
Portanto, não distinguir – por ignorância, má-fé ou parcialidade ideológica -  o que é perene do que é perecedouro na Literatura Integralista é a matriz de todos os erros no entendimento e interpretação da Doutrina do Integralismo.  Ontem ou hoje, a nossa Doutrina está sempre inserida em determinado contexto, e ignorar tal fato só pode gerar incompreensão, histórica e doutrinária. Fique claro que não estou relativizando a Doutrina Integralista, pelo contrário, a exata contextualização da Literatura Integralista previne contra qualquer relativismo doutrinário. O relativismo, em qualquer feição que assuma, é a antítese do Integralismo.  Enfim, por incompatível com a própria noção de Integralismo, deve-se evitar a unilateralização no estudo de nossa Doutrina, pois, a despeito das deficiências expositivas, ou apreendemos o Integralismo como um Sistema Filosófico completo ou nada entenderemos do que realmente é o Sigma.


[1] SALGADO, Plínio. Despedida do Parlamento. Brasília: Câmara dos Deputados, 1976; p. 3. Lamentavelmente, o Chefe Nacional não atingiu tal desiderato.  Uma exposição sistematizada do Integralismo, portanto, ainda, está por ser feita. O Companheiro Gumercindo Rocha Dorea, um dos mais autorizados conhecedores do Integralismo, acalenta o projeto de elaborar a “Súmula Integralista”, justamente para preencher tal lacuna.

domingo, 18 de março de 2012

INTEGRALISMO

Sérgio de Vasconcellos*

O âmbito do Integralismo é vasto. Ao contrário do que se pensa comumente - de que o Integralismo é apenas uma doutrina política e um movimento unicamente político-partidário -, o Integralismo é uma Filosofia, a partir da qual, graças ao Método Integralista, foram estabelecidas Novas e Revolucionárias Concepções nos campos da Política, da Sociologia, da Economia, da Educação, do Direito, da História, da Literatura, etc. Ao  Criador do Integralismo, Plínio Salgado, não bastava compreender o Mundo  tal qual é, era preciso ir além, interferindo na marcha dos acontecimentos, transformando a realidade, para benefício de todos os Povos. Portanto, no Integralismo, “ser” e “dever ser” são indissociáveis. Eis porque, o Integralismo, tem esta vinculação à Política. Plínio Salgado não permitiu que sua genial criação Filosófica permanecesse encastoada numa Torre de Marfim, em que nefelibatas, fugindo à realidade, ficassem tecendo abstracionismos.

* O Autor é Secretário Nacional de Doutrina e de Estudos da  Frente Integralista Brasileira - FIB.
Publicado originalmente no “Bandeira do Sigma”.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A Revolução Redentora de 31 de Março de 1964.

Sérgio de Vasconcellos.

Nem todos os Integralistas valorizam a Revolução de 1964. Existem muitos Companheiros que criticam a Revolução de 31 de Março. Pessoalmente, tenho uma visão bem diferente do episódio.

A chamada Revolução de 64 pode ser abordada por muitos ângulos, tanto favoráveis, quanto desfavoráveis. Existe vasta literatura, publicada desde Abril de 1964 até hoje, e certamente muita documentação deve ser trazida a tona nos próximos anos.

Farei uma síntese do meu ponto de vista pessoal:

Em 1º de Maio de 1964, os comunistas desfechariam sua revolução no Brasil, tendo como líder civil o latifundiário e nada proletário Miguel Arraes (Governador de Pernambuco). Imediatamente, os anti-comunistas iniciariam seu contra-golpe, tendo como líder civil o ex-comunista Carlos Lacerda (Governador da Guanabara). Para apoiar este último, "mariners" estadunidenses desembarcariam no solo sagrado da nossa Pátria, provenientes de uma esquadra estadunidense que, coincidentemente, estava fazendo manobras e exercícios próximos ao nosso litoral... A Guerra Civil instalar-se-ia, e o Brasil seria dividido em Brasil do Norte e Brasil do Sul (a exemplo da Coréia e do Vietnam). O bobalhão do João Goulart ficaria reduzido ao Distrito Federal. Para impedir que a Guerra se alastrasse mais ainda e diante da incapacidade do Governo Central do Brasil de restabelecer a Ordem, a ONU votaria em toque de caixa uma resolução colocando a Amazônia provisoriamente sob sua imediata tutela, garantida também pelos "mariners", é claro... Com o esfacelamento do Brasil, os Estados Unidos e a União Soviética teriam ganhos colossais: Os Estados Unidos destruiriam o único País que poderia emergir no futuro como seu rival; os inimagináveis recursos da Amazônia seriam finalmente seus; o controle do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, bem como da Amazônia, garantiria não só o controle do nosso Parque Industrial, mas, das matérias primas, bem como formavam um cinturão que isolava a área controlada pelos comunistas (o Nordeste) do restante da América do Sul; já a União Soviética, ainda presa a velha e superada visão Geopolítica de que o Nordeste do Brasil é a chave para a Conquista da África, achava que estava passando a perna nos ianques...

Lamentavelmente, forçoso é reconhecer que muitos Brasileiros, civis e miltares, cooperavam para a concretização desse plano anti-Brasil. E tudo isso se cumpriria, se um pugilo de Militares e Civis, autenticamente Nacionalistas, não resolvesse iniciar a Contra-Revolução antes que a Revolução fosse desferida, frustrando assim os planos traçados em Wasshington e Moscou.

Então, Mourão Filho sai com tropas de Juiz de Fora e marcha em direção ao Rio de Janeiro. O imprevisto de tal ação corajosa paralisa a ação dos apátridas, nem em Brasília (Castelo Branco), nem no Rio (Costa e Silva), o governo toma providência contra o Militar revoltoso, em Recife, Miguel Arraes nem desconfia que dali há pouco, deixará de ser o futuro governante comunista do Brasil para ser preso político, menosprezando a importância daquela pequena tropa nos acontecimentos. Em breve, com a adesão do 1º Exército, a Revolução de 31 de Março estava vitoriosa. E aí acontece o mais surpreendente, o Líder da Revolução, entrando pelo Palácio Duque de Caxias, ao invés de dar ordem de prisão ao Gal. Costa e Silva, que estava escondido debaixo da mesa de seu Gabinete e alcoolizado, simplesmente APRESENTOU-SE E SOLICITOU NOVAS ORDENS!!! Mal acreditando no que ouvia, o futuro Marechal diz ao Mourão que recolha sua tropa a Vila Militar e vá descansar, no dia seguinte ele receberia instruções. O ingênuo do Mourão obedece e num dos erros mais crassos da história, ao invés de ficar com sua Tropa na Vila Militar (da qual ele era o chefe de fato), resolve ir passar a noite com sua Família em Copacabana... Controlando-se a custo, pois bebera muito whisky (sua bebida predileta), telefonou para o seu cúmplice de Brasília, o General Castelo Branco, e narrou o ocorrido. No dia seguinte, quando o Mourão voltou ao Palácio da Guerra não comandava mais Tropa nenhuma, era um zero a esquerda.

Um grupo de manipanços de farda, que não desferira um tiro, que não saíra dos seus Gabinetes, que não fizera rigorosamente nada, assumiu o Comando da Revolução num golpe de sorte, graças a ingenuidade de um homem que se levantara contra o comunismo e para evitar uma Guerra Civil, e que nunca pensou em tomar o Poder. O Resultado é que uma quadrilha de militares e civis apossou-se do Brasil, e aí o nosso País foi administrado por tipos como o suposto ex-comunista Roberto Campos, o cripto-comunista Jarbas Passarinho e outros. As perseguições começaram.

Ora, tendo o grupo pró-estadunidense assumido imprevistamente todo o País, o que contrariava os acordos secretos entre Moscou e Washington, foi necessário que Tio Sam desse em compensação a África à URSS, daí a explosão de repúblicas socialistas no Continente Negro naquela época. A Rússia achava que saíra lucrando, os Estados Unidos sabiam perfeitamente que a URSS jamais teria condições de aproveitar-se eficientemente de todos aqueles recursos naturais e de modernizar aqueles países. Basta lembrar que a Angola Comunista acabou tendo que vender o seu Petróleo (estatizado) para os E.U.A...

No Brasil, a camarilha civil-militar passou a mandar e desmandar, com pleno apoio dos Estados Unidos.

Enfim, entre os méritos da Revolução de 64, reconheço o de impedir a divisão do Brasil e o avanço do comunismo em nosso País.