quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A direita e a esquerda são cúmplices na campanha contra as Forças Armadas.

Um dos "drones" (aviões não tripulados) que o Brasil comprou de Israel.

Sérgio de Vasconcellos

Parece-me indiscutível que as FFAA, principalmente depois da reeleição da presidente Dilma, estão sofrendo uma devastadora campanha de difamação. O que não parece tão evidente é que esta campanha de desinformação parte tanto da esquerda, quanto da direita. Eis algumas das mentiras propaladas pela Imprensa e pelas Redes Sociais:

1)    Que as FFAA estão sucateadas e que não tem munição para um mês.
2)    Que por conta deste sucateamento, até a Venezuela está mais bem equipada militarmente e pode invadir o Brasil a qualquer hora.
3)    Que os Militares de hoje são diferentes dos de 1964; que os Generais estão todos comprados ou são mesmo comunistas.
4)    Que o Regime imposto à Nação em 1964 era uma Ditadura Militar sanguinária e torturadora, inclusive, tendo torturado os que hoje estão no Poder e que só lutavam pela Democracia, enquanto os Militares eram subservientes aos interesses dos Estados Unidos.

Creio que todos já ouviram ou leram tais absurdos.

Mas, o abandono das Forças Armadas não é verdade? Um General numa Carta Aberta  não admitiu mesmo o sucateamento e a iminência de uma invasão da Venezuela e a derrota do Brasil? Sim, o tal General disse essas sandices, mas, trata-se de um General de Pijama, que perdeu o bonde da História e o melhor que tal Militar poderia fazer é pegar um Terço e ir rezar, para ver se consegue salvar a sua Alma, pois, o corpo já está perdido...

Sucateamento? Então vejamos a suposta sucata:

1)    O Brasil firmou parceria com a África do Sul para a produção do Míssil A-Darter, e a nossa parte nos custos não ficará em menos de 50 milhões de dólares.
2)    O Porta-Aviões São Paulo será modernizado, por um custo não inferior a 1(um) bilhão de Reais.
3)    O Brasil, através da EMBRAER, desenvolveu um moderno avião de transporte, o KC-390, cujas primeiras 28 unidades serão entregues até 2016, tudo (desenvolvimento do projeto e entrega das primeiras aeronaves) por um custo pouco superior a 12 bilhões de Reais.
4)    O Brasil comprou por cerca de 13 bilhões de Reais 28 caça suecos Gripen-NG, se associando ao seu desenvolvimento e fabricação futura no Brasil, através da EMBRAER.
5)    A nossa Marinha de Guerra está instalando um Núcleo da Missão Naval em São Tomé e Príncipe, como primeiro passo para um Acordo de Defesa entre o Brasil e aquela Nação. O Brasil já até doou uma Lancha para a Guarda Costeira são-tomense... Nunca é demais frisar a importância desse Arquipélago para a Projeção Geopolítica do Brasil, ainda mais agora que a China comunista ameaça instalar uma Base Naval na Namíbia. Não estou a par dos custos, mas, seja quanto for, é dinheiro bem aplicado.
6)    O Brasil assinou acordo com a França para a construção de Cinco submarinos, quatro convencionais e um com propulsão nuclear. Tudo (desenvolvimento, instalações necessárias, os submarinos propriamente ditos, etc.), não custará menos de 23 bilhões de Reais.
7)    R$6.000.000.000,00 (Seis Bilhões de Reais) é o valor pago por mais de 2000 unidades do Blindado Guarani, e cuja centésima viatura entregue ao Exército Brasileiro foi até objeto de Cerimônia pública, recentemente.

Poderia prosseguir na enumeração, mas, creio que os exemplos pescados ao acaso no Noticiário são suficientes para me permitir argumentar:
Após anos e anos de um real abandono das nossas Forças Armadas, o atual Governo resolveu investir na nossa Indústria Bélica, incentivando o desenvolvimento de tecnologia própria e fazendo parcerias com Empresas estrangeiras do setor, com isso reequipando as nossas Forças de Terra, Mar e Ar. No entanto, Generais aposentados fazem terrorismo inconsciente(?), junto a direitistas e anticomunistas histéricos, de que só temos munição para um mês...

Segundo os mesmos Generais levaríamos uma surra se fossemos invadidos pela Venezuela. Só pode ser piada. A Venezuela não produz nem sapatos suficientes, o que obriga grande parte da população a andar descalça. Não é porque o Governo venezuelano comprou meia dúzia de equipamentos velhos da Rússia que ele será ameaça para o Brasil. Se o exército venezuelano está tão poderoso, como teimam em dizer esses Generais de asilo, por que Caracas já não ocupou militarmente o Essequibo? Esses Generais reformados com o seu anticomunismo mal direcionado estão prestando um desserviço à Nação com toda essa desinformação.

Que os Militares de hoje não são os mesmos de 1964 é uma constatação. Mas, daí querer tirar qualquer ilação que deponha contra os atuais Militares é forçar demais. Que haja comunistas nas Forças Armadas é perfeitamente admissível, afinal, desde que o comunismo em má hora se infiltrou como um câncer no Brasil, sempre houve presença comunista nas FFAA, e em 1964 não era diferente... Todavia, sustentar que o Exército, a Marinha e a Aeronáutica estão total e completamente dominados pela ideologia marxista tão somente porque as três Forças recusam-se a intervir na Vida Política Nacional é, não apenas um exagero, mas, uma calúnia odiosa de uma direita raivosa e ressentida, que se recusa a encarar o fato de que estamos no Século XXI e não mais nos anos 50, onde a cada semana a UDN ia bater na Porta dos Quartéis. Os tempos são outros, felizmente.

Agora, também é uma deslavada mentira afirmar que o Regime Militar, que vigorou entre 1964 e  1985, fosse uma Ditadura. Certamente, tal Regime teve, como qualquer outro Regime Político no Mundo, suas qualidades e defeitos. Houve tortura, infelizmente, parece que sim, mas, não de forma institucionalizada como quer fazer crer a ridícula Comissão da Verdade, que vai dia a dia perdendo sua credibilidade junto à opinião pública, apesar do acompanhamento diário com que a imprensa argentário-marxista destaca seus trabalhos. É evidente que esta Comissão é um cala-boca dado aos marxistas, enquanto o Governo vai revitalizando as Forças Armadas.

Antes de encerrar: É possível que algum leitor deva se perguntar por que após tantos anos de abandono das FFAA, e mesmo com “cortes” oficiais no Orçamento da União, o atual Governo resolveu investir pesadamente na Indústria Bélica Nacional e no reequipamento do Exército, Marinha e Aeronáutica? É um fato historicamente concreto que a Indústria Armamentista alavanca a Economia de um País. Mas, será só isso? Um paliativo vigoroso para a crise econômica nacional? Ou saberá o nosso Governo de algo que, nós, os Brasileiros, ignoramos? Que o Brasil é um País de quase infinitos recursos naturais e que por isso atrai a cobiça das Grandes Potências, eu creio ser indiscutível. Recursos minerais ainda sendo superficialmente explorados, apesar de séculos de mineração. Recursos vegetais renováveis impressionantes. E não menos importante, num Mundo que vai ficando sem água potável: A maior Bacia Hidrográfica do Mundo, e, também, o maior Aquífero, o Guarani. E não podemos nos esquecer do Pré-Sal..., e isso para não alongar mais as referências.

O fato é que, enquanto uma direita que não saiu da Guerra Fria e  uma esquerda que pensa estar vivendo ainda nos “dez dias que abalaram o mundo”, ou seja, enquanto uns e outros vivem num Mundo de Ilusões, o Brasil vai sofrendo o cerco das Grandes Potências: Bases estadunidenses na Colômbia e Paraguai; bases inglesas em Ascenção (onde há também outra Base estadunidense) e nas Malvinas; base militar francesa em Monte Kuru, na Guiana; e em breve mais duas bases militares, uma russa na Patagônia e outra chinesa na Namíbia. Se alguém ainda não entendeu, eu serei claro: O Brasil está sendo cercado! Os Cinco Grandes, que venceram a Segunda Guerra Mundial e tem Direito de Veto na nunca suficientemente execrada ONU – China, Estados Unidos, França, Inglaterra e Rússia – estão preparando as condições objetivas para invadir o Brasil.

Que os Militares saibam que existem Brasileiros Patriotas que não se deixam guiar pelo canto de sereia vindo da direita ou da esquerda, e que estarão ao lado do Brasil e de suas Forças Armadas nos dias angustiosos que se avizinham.

Pelo Bem do Brasil!


Anauê!

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Breve resumo sobre a História do Manifesto de Outubro

MANIFESTO DE OUTUBRO

Breve Resumo Histórico
Sérgio de Vasconcellos

Em 24 de Fevereiro de 1932, no Salão Nobre do Jornal “A Razão”, na Rua José Bonifácio, em São Paulo, realiza-se uma reunião de intelectuais paulistas, convocada por Plínio Salgado, com a finalidade de criar uma organização, que partindo do estudo da realidade brasileira, estabelecesse uma orientação política segura, face ao caos que se instalara no País, após a Revolução de 30. Compareceram: Ataliba Nogueira, Cândido Motta Filho, Mário Graciotti, José de Almeida Camargo, Alpinolo Lopes Casale, José Maria Machado, Francisco Stela, Gabriel Vendomi de Barros, João Leães Sobrinho, Mário Zaroni, Fernando Callage, Iracy Igayara, Carvalho Pinto, Sebastião Pagano, Arlindo Veiga dos Santos, João de Oliveira Filho, James Alvim, Fausto Campos, Eduardo Rossi, Dutra da Silva e outros. Aprovada a criação da entidade pelos presentes, Plínio Salgado marcou para 12 de Março, a assembleia de fundação. Enquanto este pequeno  e  seleto   grupo  tomava  uma   decisão da qual brotaria o maior movimento de massas do Brasil republicano, a Ação Integralista Brasileira, naquele mesmo dia, um gigantesco comício, na Praça da Sé, com perto de 50 mil pessoas, organizado pela Liga Pró-Constituinte, preludiava à Revolução Constitucionalista.

             No dia 12 de Março de 1932, no Salão de Armas do Clube Português, de São Paulo, obtido graças à intervenção de Eurico Guedes de Araújo, ocorre a Assembleia de Fundação da Sociedade de Estudos Políticos – S.E.P. Mais de uma centena de pessoas compareceram: Alfredo Buzaid, Antonio de Toledo Piza, Rui de Arruda, Pimenta de Castro, Ângelo Simões de Arruda, Roland Corbisier Cavalcanti de Albuquerque, Francisco de Almeida Prado, Ernâni da Silva Bruno, Lauro Escorel, Almeida Salles, Rui Ferreira dos Santos, Waldir da Silva Prado, Luis Saia, os irmãos Ignácio e Goffredo da Silva Telles, Azib Buzaide e muitos outros. Plínio Salgado, Ex-deputado Estadual pelo Partido Republicano Paulista, jornalista profissional e romancista consagrado, assume a Presidência e abre a sessão com um discurso, do qual destaco a seguinte passagem:
             “Senhores, por toda a parte ouço a palavra revolução; de todos os lados nos chegam os écos de ingentes reclamos que, em meio à confusão dominante no País desde Outubro de 1930, apelam para o ‘espírito revolucionário’. Na verdade, tudo indica que o Brasil quer renovar-se, quer tomar posse de si mesmo, quer marchar resolutamente na História. Clama-se por justiça social e por uma mais humana distribuição dos bens; exige-se do Estado que intervenha, com poderes mais amplos, tendentes a moderar os excessos do individualismo e a atender aos interesses da coletividade. Neste momento, congrego-vos para estudarmos os problemas nacionais e traçarmos em conseqüência destes estudos, os rumos definitivos de uma política salvadora. No entanto, quero frisar, com a maior veemência, que procede das profundas convicções espiritualistas inspiradoras do meu pensamento e da minha ação, o seguinte: fala-se de revolução, pedem-se revoluções; pois bem: façamos as que forem necessárias à justiça humana e à saúde da Pátria, mas não nos esqueçamos um instante sequer dos intangíveis direitos da pessoa humana. Peço-vos, senhores, que havendo de reformar, de modificar, de revolucionar, tudo façais se assim vos ditar vossa consciência; mas por favor, meus amigos, não toquemos no Homem. O Homem é livre, Deus o fez livre e responsável, e o seu maior tesouro é a sua liberdade, a intangível expressão da sua própria consciência, o caráter que imprime ao que faz e ao que possui, o escudo com que se defende do arbítrio do Estado e da Coletividade e é constituído pelo grupos naturais em que se integra. Assim, repito-vos: não toquemos no Homem e na sua Liberdade”.

             Em seguida, Plínio Salgado, apresentou os nove princípios básicos que norteariam os estudos e ações da S.E.P., que são:
            “- Somos pela unidade da Nação.
            “- Somos pela expressão de todas as suas forças produtoras no Estado.
         “- Somos pela implantação do princípio da autoridade, desde que ele traduza forças reais e diretas dos agentes da produção material, intelectual e da expressão moral do nosso povo.
            “- Somos pela consulta das tradições históricas e das circunstâncias geográficas, climatéricas e econômicas que distinguem nosso país.
            “- Somos por um programa de coordenação de todas as classes produtoras.
            “- Somos por um ideal de justiça humana, que realize o máximo de aproveitamento dos meios de produção, em benefício de todos, sem atentar contra o princípio da propriedade, ferido tanto pelo socialismo, como pelo democratismo, nas expressões que aquele dá à coletividade e este ao indivíduo.
             “- Somos contrários a toda tirania exercida pelo Estado contra o Indivíduo e as suas projeções morais; somos contra a tirania dos Indivíduos contra a ação do Estado e os superiores interesses da Nação.

             “- Somos contrários a todas  as doutrinas que pretendem criar privilégios de raças, de classes, de indivíduos, grupos financeiros ou partidários, mantenedores de oligarquias econômicas ou políticas.
             “- Somos pela afirmação do pensamento político brasileiro baseado nas realidades da terra, nas circunstâncias do mundo contemporâneo, nas superiores finalidades do Homem e no aproveitamento das conquistas científicas e técnicas do nosso século.”
            Tais Princípios Básicos foram aprovados pela unanimidade dos presentes.

            A S.E.P. passa a funcionar regularmente na mencionada Sala de Armas do Clube Português de São Paulo (na Av. São João, esquina com Anhangabaú, hoje, Av. Prestes Maia), que fora emprestada para tal fim, por intermediação de José Maria Machado. Imediatamente, Plínio Salgado cria uma série de comissões e subcomissões de estudos, indicando seus membros de acordo com as vocações pessoais. As comissões reuniam-se diariamente e, duas ou três vezes por semana, realizavam-se sessões plenárias.

             Na Assembleia de 06 de Maio de 1932, diante dos excelentes resultados das comissões, Plínio Salgado propõe a criação de uma seção, que teria a finalidade de difundir, em linguagem simples, as novas Ideias, buscando criar uma consciência popular. Eis um trecho da Ata:
             “Expondo em rápidas palavras a grave situação que o país atravessa, o sr. presidente propôs que se organizasse, subordinada e paralela à S.E.P., uma campanha de ação prática, no sentido de se infiltrar em todas as classes sociais o programa político as S.E.P., decorrente de seus princípios fundamentais. Essa campanha seria denominada ‘Ação Integralista Brasileira’. Essa proposta foi unanimemente aprovada.”

            Mas, Plínio Salgado vai mais longe e propõe a elaboração de um Manifesto, o que também é aprovado, nomeando-se uma comissão para a sua redação, assim constituída: Motta Filho, Almeida Camargo, Ataliba Nogueira e Plínio Salgado, que foi designado Relator.

Enquanto  a  S.E.P.  prosseguia   no seu trabalho eminentemente  construtivo, paralelamente,   a insatisfação   dos  paulistas  com  o novo regime, aumentava  dia  a  dia. Tudo  indicava  que  Vargas pretendia  manter  o     chamado  ‘Governo Discricionário’, indefinidamente...

Em   23   de  Maio  de  1932,   à  noite,  o descontentamento   popular   atingiu   o    auge,  uma multidão   dirige-se    à  sede  do  Jornal   “A  Razão”, empastelando-o;    então,    ainda  não   saciada   de destruição,    a    massa    dirige-se para    a    Legião Revolucionária   de  São   Paulo,  tentando  invadir  e incendiar   sua  sede,    começa  uma batalha de rua,  tornada     mais    brutal   com   a   chegada  da  força  pública.     Terminado,  na  madrugada,  o  conflito,  o resultado fora, centenas de feridos e quatro estudantes mortos: Mário Martins de Almeida, Euclydes Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antonio Américo de Camargo Andrade. Das iniciais dos nomes destes quatro jovens sacrificados, formou-se aquela sigla simbólica célebre – MMDC -, que viria a ser utilizada pelos revolucionários paulistas.

Do incêndio ateado no “A Razão” – que era dirigido por Plínio Salgado -, escaparam, milagrosamente incólumes, uma mesa e uma estante, justamente as que abrigavam os fichários e arquivos da S.E.P. e da Ação Integralista Brasileira. Podendo, assim, Plínio Salgado continuar sua obra de arregimentação das novas inteligências brasileiras.

Em Junho, a S.E.P. fez duas reuniões. Na primeira, Plínio Salgado leu o anteprojeto do Manifesto, que elaborara, em fins de Maio. Cópias datilografadas foram distribuídas a todos os associados, para que lessem e trouxessem na próxima reunião, suas propostas de melhoria do texto, acréscimos, emendas, etc. No segundo encontro daquele mês, o Manifesto de Outubro foi aprovado, quase sem modificações. A intenção era lançá-lo imediatamente, mas, Motta Filho e Almeida Camargo, insistiram que a publicação fosse adiada, pois, o momento não era oportuno, a revolução era iminente.

De fato, em 09 de Julho, inicia-se a Revolução Constitucionalista. Todas as reuniões da S.E.P. foram suspensas. Naquela ocasião, Plínio Salgado, reunido com um pequeno grupo, declarou:
“Que cada um cumpra o seu dever neste momento em que o Estado de São Paulo se encontra em armas: eu guardarei este documento para, quando terminar este trágico episódio da nossa História, vir com ele, porque talvez seja um  instrumento de salvação.”

Em 03 de Outubro de 1932, terminava a Revolução Paulista. Um grupo – Eurico Guedes de Araújo, Iracy Igayara, Alpinolo Lopes Casale, Antonio de Toledo Piza, Manoel Pinto da Silva, Lauro Pedroso -, que naqueles conturbados dias, frequentava a casa de Plínio Salgado, findo o conflito, concordara que era a hora de imprimir o Manifesto. Lauro Pedroso encarregou-se de mandá-lo para a gráfica, mas, não tinha como pagar a impressão... Então, Plínio Salgado. Iracy Igayara, Eurico Guedes da Fontoura e Alpinolo Lopes Casale, quotizaram-se, levantando 200$, e propondo pagar o restante a prestações, a tipografia aceitou e entregou os Manifestos na tarde de 06 de Outubro.

No dia seguinte, 07 de Outubro de 1932, à tarde e a noite, às escondidas numa sala da Secretaria de Segurança Pública, na mesa de trabalho de Eurico Guedes de Araújo, Plínio Salgado endereçou pessoalmente centenas de envelopes, nos quais o Manifesto seria remetido a todo o País, a distribuição na própria cidade de São Paulo foi feita por membros da S.E.P. Eis a razão pela qual, o documento de fundação do Integralismo, redigido em Maio, aprovado em Junho, veio a chamar-se “Manifesto de Outubro”.

domingo, 6 de abril de 2014

A Manipulação da História

Sérgio de Vasconcellos

O Movimento Integralista têm atraído muitos jovens as suas fileiras. Jovens ainda estudando e que, principalmente no chamado Ensino Médio, se defrontam com professores de história que foram (de)formados nas Faculdades de História, que são fábricas de marxistas. Ora, para tais professores o Integralismo é sinônimo de nazismo, fascismo ou comunismo (este último só é sustentando por aqueles que não se deixaram embair pelo canto da sereia marxista, mas, ficaram encantados pela melodia do Flautista de Hamelin...), e, tais Jovens ficam embaraçados, pois, mesmo sabendo pelo que ouvem em nossas reuniões ou leem nas nossas publicações que o Integralismo não é fascista, nazista e muito menos comunista, um professor é um professor, e deve saber do que está falando, o que cria uma situação de conflito interior, sem falar nas gozações de que acaba sendo alvo àquele que sai em defesa do Sigma em Sala de Aula.

Pois bem, venho aqui tranquilizar tais Jovens Companheiros: O Integralismo não é fascismo, não é comunismo, não é nazismo. E para comprovar que os que afirmam o contrário são mentirosos ou ignorantes transcrevo abaixo o que disse o nosso Chefe Plínio Salgado naqueles já distantes anos 20 e 30:

“Literatura e Política” (1927):
Aparecem duas tisanas para as doenças da Europa: O comunismo e o fascismo, ambos materialistas, decretam a falência das democracias. Por eles, ou triunfa o imperialismo econômico, baseado no nacionalismo, no fascismo, na ditadura militar, ou vence o imperialismo político da III Internacional.
Será este o dilema para os jovens povos da América?

“Manifesto da Legião Revolucionária de São Paulo” (1931):
Desde a monarquia temos vivido sob a preocupação de impor ao nosso País sistemas políticos estrangeiros...
Assim, não devemos transplantar para o Brasil nem o fascismo nem outros sistemas exóticos.

“Despertemos a Nação!” (1935):
O problema brasileiro é muito mais difícil do que os da Rússia, da Itália e da Alemanha. Os modelos de Lênin, de Mussolini e de Hitler, suas estratégias, seus processos, não valem nada no caso do Brasil.

“Palavra Nova dos Tempos Novos” (1936):
Somos a única coisa séria, impressionante, no Brasil, de hoje, porque somos A REVOLUÇÃO. Temos uma significação muito mais profunda que o “fascismo”, o “hitlerismo”, o “comunismo”, porque somos a consciência de uma época, porque nos libertamos dos velhos preconceitos, porque operamos ao mesmo tempo uma revolução objetiva, de recrutamento de massas humanas, e uma revolução do pensamento e das consciências.
E ainda do mesmo Livro, mais dois trechos:
O Homem no Estatismo Racista ou Imperialista, estandardiza-se, uniformiza-se nos movimentos de um todo que é a finalidade inumana do Estado.
Não pretendemos uma ditadura, só os povos bárbaros permitem ditaduras.

E poderíamos aumentar e MUITO as citações que comprovam a falácia das acusações de tais professores. E por que estas e outras passagens não são mencionadas nas Salas de Aula e nos péssimos Livros Didáticos? Evidentemente há uma perversa intenção em prover nossos Jovens de uma educação deficiente (e não apenas na área da disciplina histórica, infelizmente), impedindo-os de formar uma opinião própria e autônoma sobre o Integralismo, como de resto sobre todas as grandes questões nacionais. A finalidade desta deseducação é formar toda uma geração de bitolados, incapazes de juízos independentes.

Portanto, Jovem Companheiro, aqueles seus colegas de turma que riram de você, quando defendeu o Integralismo (e a Verdade estava contigo e não com o seu professor), não devem ser objeto de raiva ou ódio, pois, ao contrário de você, são manipulados, e dignos de pena. E quanto aos seus professores, ninguém dá o que não possui, isto é, sendo ignorantes, não podem transmitir qualquer forma de conhecimento válida. Não perca o seu tempo em bate-bocas com professores boçais e colegas imbecilizados. Estude e torne-se o que uns e outros talvez jamais serão, um Homem Superior, perfeitamente consciente de seus Direitos e Deveres para com Deus, a Pátria e a Família.

Pelo bem do Brasil!

Anauê!


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Convergência Nacional.

Sérgio de Vasconcellos

Cento e setenta anos de independência política e, no entanto, cada vez menos soberana, cada vez mais escravizada a interesses alienígenas e antinacionais, eis o quadro aterrador de nossa Pátria.

O Capitalismo – na sua dúplice forma, o Capitalismo Privado e o Capitalismo de Estado (Marxismo), ambos materialistas, totalitários e imperialistas -, prepara o assalto final ao Brasil.

Tudo conspira contra a integridade da Nação Brasileira; em todos os setores da vida nacional – no moral, no econômico, no político, no financeiro, no administrativo, no cultural, no militar, etc. –, vamos nos deixando conquistar e colonizar.

Lentamente o Povo Brasileiro está sendo desfibrado e desvirilizado, sem ter consciência do crime de que está sendo vítima.

Não existe autêntica soberania política, se não houver soberania econômica, e sem estas, a própria unidade nacional, isto é, a existência do Brasil como o conhecemos hoje, está necessariamente ameaçada.

Nós não temos um governo nacional, porque isto que aí está, e assim se denomina, serve unicamente aos interesses políticos e econômicos do Capitalismo Internacional.

Arrancar o Povo Brasileiro da miséria em que se encontra e erguê-lo material, intelectual e moralmente, só será possível através de uma união inquebrantável e indissolúvel de todos os que rejeitam ao Capitalismo e seu cortejo de iniquidades.

Esta união inédita, nós a realizamos no Integralismo, e convocamos todos os brasileiros a cerrarem fileiras conosco para a Grande Batalha que será a Revolução Nacional.


(Originalmente publicado em “A Voz do Oeste” – Lins –Ano III – Novembro de 1992 – Nº29 – pág. 2.)

domingo, 8 de dezembro de 2013

REVOLUÇÃO AGRÁRIA: REVOLUÇÃO VERDE DO BRASIL.*

Sérgio de Vasconcellos

O Brasil poderá abrigar um bilhão e duzentos milhões de habitantes, segundo os estudos do geógrafo alemão Albrecht Penck, divulgados entre nós pelo Prof. Everardo Backheuser, Pai da Geopolítica Brasileira.

Assim, afirmar que o nosso País, com a minguada população de cento e trinta milhões, está sofrendo uma explosão demográfica, ou é ignorância ou má-fé.

O problema é outro: Uma errada distribuição populacional. Setenta por cento dos brasileiros reside nas grandes cidades, em geral, litorâneas, enquanto vastas áreas interioranas, são verdadeiros desertos demográficos.

O processo de despovoamento do campo, iniciado na década de 30, devido à péssima administração do ditador Vargas, acentuou-se nos últimos três decênios. É o tão falado êxodo rural que inchou as cidades, dotando-as de várias favelas, onde milhões de brasileiros vivem em condições sub-humanas.

Em nossa viciada estrutura agrária, presenciamos o típico processo de concentração capitalista, em que mais de 70% das propriedades, encontram-se nas mãos de meia dúzia de indivíduos e/ou grupos, inclusive inúmeras multinacionais, ao passo que dezenas de milhões de brasileiros, não têm sequer um palmo de chão, onde serem enterrados ao morrerem de inanição.

O Capitalismo, isto é, a hipertrofia do Capital sobre os demais elementos da produção, o Homem e a Natureza, é o único responsável por cinquenta milhões de brasileiros passarem fome, e, não importa o rótulo com que queira travestir-se, neocapitalismo, capitalismo social, ou o blasfemo capitalismo cristão, é e será sempre “a exploração do homem pelo homem”.

O Brasil precisa com urgência de uma radical transformação agrária, não uma simples “reforma agrária”, mas uma REVOLUÇÃO AGRÁRIA que erradique definitivamente os latifúndios improdutivos ou antissociais, os minifúndios insuficientes à subsistência familiar, e, também, os pequenos sítios de recreio, originados pelo loteamento insensato de antigas propriedades rurais, quase sempre em terras fertilíssimas, na periferia das cidades, e que por isto mesmo, deveriam ser destinados a formar um cinturão verde, ao invés de servirem para lazer em fins de semana ou serem abandonados, enquanto se aguarda a valorização.

O autentico Nacionalismo, não pode ser contra a propriedade privada, todavia, justamente por defendê-la integralmente, é contrário a sua utilização abusiva e egoísta.

Projeção do Homem no espaço, a Propriedade é um direito fundamental que, contudo, tem como limite o Bem-Comum. Sem o cumprimento de sua função social, torna-se iníqua. Ao lado do direito existe o rigoroso dever do proprietário para com a Sociedade e a Pátria.

Um certo movimento saudosista da Idade Média, que tem por mote, tradição, família e propriedade, pretextando proteger esta última, manifesta-se constantemente contra a  “reforma agrária”, invariavelmente identificada com uma “reforma agrária socialista e confiscatória”, pugnando pelo respeito absoluto ao direito de propriedade.
É uma aberração, defender-se o “direito” de meia dúzia de indivíduos, em prejuízo do direito de milhões de pessoas. Defender a atual organização social injusta, na qual um punhado de exploradores vive nababescamente, enquanto o povo brasileiro vive na miséria. O interesse social deve prevalecer sobre o particular, nunca o oposto.

Como doutrinou Plínio Salgado, só podemos defender verdadeiramente a instituição da propriedade privada, lutando por sua difusão entre todos dos brasileiros. Cada brasileiro deve ter a sua propriedade. Um ideal utópico e irrealizável? Não! Meta a ser conquistada, custe o que custar e doa a quem doer.

A Revolução Agrária instituirá a Média Propriedade Rural, que variará em suas dimensões, segundo a diversidade dos tipos de produção e as diferenciações geográficas e geológicas. Tecnicamente planejada, será autofinanciada, não criando qualquer ônus à Nação. Evidentemente, não será uma simples distribuição de terras. É preciso dotar o médio proprietário de financiamento, assistência técnica, transporte, instrução e saúde. Em outros termos, dentro do princípio da correlação fenomênica, em que não existem problemas isolados, mas interdependentes, os problemas particulares serão resolvidos mediante a solução do conjunto geral do problema nacional. A Revolução Agrária é uma subdivisão da Revolução Econômica, que por sua vez é um dos capítulos da Revolução Nacional.

Na Inglaterra, Estados Unidos, França, Itália, Japão, etc., a modificação da estrutura rural, com a adoção de uma propriedade equitativa, antecedeu a Revolução Industrial, sendo, aliás, condição necessária desta última. (1)

Mesmo nos países socialistas, onde a coletivização agrária é um dos dogmas da ideologia marxista, os fatos foram mais fortes. Na União soviética, após marchas e contramarchas, e o morticínio de milhões de camponeses, primeiro Lênin, e posteriormente Stálin, acabaram restabelecendo a propriedade particular no campo. Em Cuba, Fidel Castro, também voltou atrás, adotando a propriedade de até 30 ha. Na Iugoslávia, Tito redistribuiu as propriedades na base de 30 a 40 ha.

Pode-se afirmar categoricamente que, quer nos países capitalistas, quer nos comunistas, a realidade esmagadora, obrigou a implantação da média propriedade particular, entre 40 a 180 ha.

Porém, no Brasil, os latifundiários, uma força poderosíssima, opõem-se a qualquer mudança no campo, insurgindo-se contra todos os que a desejam. E essa situação vem de longa data. Quando, no século passado22, Sua Majestade o Imperador Senhor Dom Pedro II, planejou a abolição da escravatura e a extinção dos latifúndios, em 20 anos, a oligarquia rural, só tolerou a primeira, não consentindo na segunda, frustrando-a por intermédio de um golpe militar, a Proclamação da República.

Eis porque a chamada “revolução industrial brasileira” tem sido uma mentira, uma falácia, a indústria está totalmente enfeudada aos capitais latifundiários, inteiramente escravizada a estes, e por isto mesmo, vinculada aos interesses estrangeiros, presa ao mercado externo, as suas flutuações e crises.

Depreende-se daí, a importância da Revolução Agrária, para a Independência Econômica do Brasil:
- Definitiva consolidação da propriedade particular, resguardando-a do coletivismo capitalista e comunista.

- A redistribuição populacional, com a ocupação racional e efetiva de regiões ainda despovoadas do território nacional.

- A descentralização industrial.

- A urbanização rural, com o surgimento de pequenos e médios núcleos urbanos, e o esvaziamento dos grandes centros.

- A ampla difusão do cooperativismo.

- Os “boias-frias”, mão-de-obra móvel, garantidos por seus sindicatos e pela legislação.

- Vasto mercado de trabalho, em atividades não agrícolas, mas, indispensáveis ao campo, nos novos núcleos urbanos.

- Formação de uma ampla Classe Média no Campo, imenso mercado consumidor interno, esteio de uma real Revolução Industrial Brasileira.

- Uso de todas as áreas propícias à agricultura, inclusive ao redor das cidades, constituindo Cinturões Verdes.

E muito mais.

A nossa libertação do jugo da Plutocracia Latifundiária e do Capitalismo Financeiro Internacional.

Mas, as oligarquias que governam o Brasil, não querem nada disso, empenhados que estão em manter seus privilégios.

Todos os governos burgueses que se sucedem, sempre prometem a “reforma agrária”, porém, não passam da verborragia, ou quando muito, fazem como o atual, que deseja empregar as terras devolutas da União... , tocar nos latifúndios é que não se cogita.

Uma criminosa e subversiva campanha de desestímulo à vida no campo vem sendo feita, com a conivência, a cumplicidade dos governos, nestes cinquenta anos. Ou seja, salvo os raros projetos particulares de “reforma agrária”, os governantes liberais têm conspirado contra os autênticos interesses do povo brasileiro. O primeiro passo é o esvaziamento da zona rural, nos Distritos, com a concentração dos recursos nas Sedes Municipais, depois, pela corrupção, o empreguismo e a politicagem sórdida, concentrar os recursos nos polos de desenvolvimento urbano, provocando então, o abandono total das regiões rurais. Pergunto ao leitor: Não é exatamente isto o que está acontecendo no Brasil? Os Municípios não estão sendo pauperizados paulatinamente?

Deste modo, a Burguesia cria as condições para a atuação do Comunismo: Os 2.500.000 de brasileiros encerrados nos minifúndios, que constituem mais de 70% dos proprietários, somados aos rendeiros, meeiros e “boias-frias”, formam a massa de manobra ideal para o Marxismo- Leninismo, que fará a estes homens desesperados, todas as promessas de melhoria material, inclusive, a “reforma agrária”, utilizando-os na tomada do poder, na Revolução Bolchevista, para depois esmagá-los com o apoio do operariado fabril, cerne do Exército Vermelho, quando reagirem à coletivização agrária, como ocorreu na Rússia.

A defesa da ordem vigente, pelos reacionários, além de imoral, é inútil, pois o latifúndio está agonizante; por outro lado, perfilhar a solução socialista, é a capitulação final, a escravidão da Pátria, a destruição do Brasil.

O Brasil precisa e exige a Revolução Agrária, a REVOLUÇÃO VERDE.

* Originalmente publicado em “Ação Nacional” – São Paulo- Nº13 – Ano II – Junho de 1985 – pág. 16. O título do artigo foi dado pelo notável Jornalista e grande Companheiro Rômulo Augusto Romero Fontes, heroico editor do mensário “Ação Nacional”. Foi parcialmente republicado em “O Integralista” – Rio de Janeiro - Ano I – Nº 2 – Junho e Julho de 1989 – pág. 4.

1) O Companheiro Prof. Ubiratan Pimentel, historiador, chamou-nos a atenção de que, no caso da Inglaterra, houve uma concentração fundiária, que empurrou para as cidades um contingente que veio a ser mão-de-obra nas indústrias inglesas nascentes. De fato, o notável líder Integralista tem razão. No entanto, fica de pé o princípio geral, uma revolução econômica nacional é sempre precedida por uma radical transformação agrária.


Obs.: Já publiquei com o título “Revolução Agrária” outro Artigo de mesma temática, porém,  com outra abordagem.

domingo, 1 de dezembro de 2013

O que Pensamos das Conspirações e da politicagem de Grupos e Facções*

O Autor assistindo uma Palestra sobre Santo Agostinho.

Sérgio de Vasconcellos

O Capítulo 6º do “Manifesto de Outubro” é um dos de menor extensão, porém, isso não significa que tenha pouca importância. Na verdade, é justamente em tal Capítulo que encontramos um dos elementos mais característicos do Integralismo: A franqueza! A afirmação límpida e cristalina de que a “campanha” do Integralismo “é às claras, em campo raso, de peito aberto, de cabeça erguida” tem sido um escândalo para os adversários do Sigma.

O Integralismo denuncia essa prática infelizmente institucionalizada na Vida Política Brasileira das confabulações, das tramas, das conspirações, do imediatismo, dos proveitos pessoais e de facções colocados acima dos reais interesses e desejos do nosso Povo. É o que Plínio Salgado denominou de “falsa vida política da Nação” naquela passagem tão pouco compreendida do Capítulo 5º.

Ora, o Integralismo rejeita tal prática política e se propõe realizar um movimento “cultural, moral, educacional, social”, arregimentando os Brasileiros para a Revolução. Mas, não se entenda a nossa Revolução como alguma mazorca antecedida por uma conspiração de politiqueiros, visando estabelecer algum governo de exceção, civil ou militar. Nada mais distante do Integralismo que os conchavos e tramas para se chegar ao Poder. O Integralismo sustentando Ideias e Princípios nítidos, não faz combinações sórdidas, nem se embuça atrás de máscaras. Sua luta trava-se no campo das Ideias, com lealdade e honestidade intelectual. Pela conquista pacífica das consciências dos Brasileiros, quando “formos um número tão grande”, então, “pela força desse número conquistaremos o Poder da República” (Capítulo 5º do Manifesto de Outubro). Tudo isso dentro da Lei, no respeito das instituições e da autoridade constituída. Enfim, a “revolução legal”, como Plínio Salgado a denominou em outro escrito, através da propaganda, da difusão da Doutrina, pelo voto, pela ação social, pela elevação cultural e moral do Povo Brasileiro.

S

Aliás, aproveito a oportunidade para chamar à atenção sobre um fato que tem passado despercebido: O Brasil, no período anterior ao surgimento do Integralismo, viu-se atingido por uma onda sucessiva de revoltas e levantes, cujas tropelias e violências ceifaram a vida de tantos Brasileiros, gerando no Povo incerteza e medo constantes. Começando com a quartelada de 15 de Novembro de 1889, mais conhecida por Proclamação da República, a série de insurreições prosseguiu: 1891 – Derrubada de Deodoro; 1892 – Levante em Mato Grosso; 1893 – Revolta da Armada; 1893 – Revolução Federalista; 1896 – Canudos; 1902 – Revolução Monarquista (completamente esquecida pelos Historiadores...); 1904 – Revolta da Vacina; 1906 – Revolta em Mato Grosso (sobre as insurreições de 1892 e 1906, em Mato Grosso, o saudoso Prof. Joaquim Ponce Leal, Historiador e Integralista, escreveu um magnífico Livro); 1909 – Revolta em Goiás; 1910 – Revolta da Chibata (Liderada por João Cândido, que vinte anos depois tornar-se-ia Integralista); 1914 – Contestado; 1914 – Rebelião liderada pelo Pe. Cícero; 1922 – Dezoito do Forte; 1923 – Levante de Assis Brasil contra Borges de Medeiros; 1924 – Revolta do Isidoro; 1925 – Coluna Miguel Costa (incorretamente conhecida por Coluna Prestes); 1930 – Rebelião em Princesa; - 1930 – Revolução de Outubro; 1932 – Revolução Constitucionalista; e só listamos umas poucas... Ora, nascendo em Outubro de 1932, o Integralismo entregou-se imediatamente ao Apostolado Nacionalista, pregando a Pacificação Nacional, a Harmonia Social, combatendo o separatismo e as oligarquias, e como resultado desse trabalho de criação de uma Consciência Nacional e de respeito às Leis e às Instituições, o número de levantes foi decrescendo e se espaçando no tempo: 1935 – Revolução Comunista; 1937 – Golpe do Estado Novo; 1938 – Revolução de 11 de Maio; 1945 – Queda do Ditador Vargas; 1956 – Sedição de Jacareacanga; 1964 – Revolução de 31 de Março; 1966 e 1972 – Guerrilhas Comunistas no Caparaó e no Araguaia, respectivamente; 1985 – Nova República. Ressalte-se a transição pacífica do regime da Carta de 1967 para o atual da Constituição de 1988. Graças à conscientização e esclarecimento político que o Integralismo vem realizando ininterruptamente nos seus 75 anos de existência, o ciclo dos levantes sangrentos na História do Brasil parece ter chegado ao seu fim, pelo menos é o que esperamos... No futuro, os historiadores terão que dar o devido valor a esta importantíssima intervenção do Integralismo na Vida Nacional.

S

O Integralismo recusando-se a ser cúmplice da farsa política em que se comprazem indivíduos e facções sejam de esquerda ou de direita, e insistindo em apenas dizer a Verdade, atraiu sobre si o ódio de todos os que viram os seus planos contrariados, então, uma guerra brutal foi desencadeada contra o Movimento Integralista. A principal estratégia dos Inimigos do Povo Brasileiro é desfigurar o Integralismo, apresentando-o completamente diferente e até oposto àquilo que ele é realmente. Eis alguns exemplos notórios: O Integralismo propondo a ampliação da Democracia através da incorporação das Forças Vivas da Nação ao processo democrático - a Democracia Orgânica -, tem sido apontado como antidemocrático; sendo um tenaz impugnador do totalitarismo de Estado, o Integralismo é acusado de querer implantar um Estado totalitário; crítico da constante ingerência de militares na Política, o Movimento Integralista é incriminado de militarista; tendo Plínio Salgado afirmado e sustentado que a Liberdade é o dom mais precioso do Homem, increpam o Sigma de ser inimigo da Liberdade; sendo completamente avesso a ditaduras de qualquer ordem, civis ou militares, o Integralismo é tachado de defensor das ditaduras; inteiramente contrários à censura, os Integralistas são acoimados de buscarem o cerceamento da liberdade de opinião; enfim, muito poderíamos alongar tal relação de mentiras sobre o Integralismo, mas o que ficou exposto demonstra claramente o acúmulo de falsidades que têm sido assacadas contra a Doutrina e o Movimento Integralistas. Essa insidiosa campanha de desinformação reveza-se com outra arma não menos eficaz, o silêncio. Quando não estão mentindo descaradamente acerca do Integralismo, os meios de comunicação, controlados inteiramente pelo Banqueirismo, silenciam totalmente a nosso respeito. Todavia, apesar da perícia com que as armas do silêncio e desinformação têm sido esgrimidas contra o Movimento do Sigma, o Integralismo prossegue em sua Marcha Revolucionária através da História, para surpresa e desespero dos inimigos do Brasil, que pressentem a Vitória dos Soldados de Deus e da Pátria.

Mas, qual é o segredo dos Integralistas? O que faz o Integralismo perdurar e prosseguir a despeito dos seus fortes inimigos, que há 75 anos tentam esmagá-lo? Algo simples e poderoso, “a franqueza e coragem mental”. Num País em que toda a vida política é um teatro, em que todos os atores mentem desabusadamente, em que a falsidade é a marca registrada dos indivíduos e facções, em que a insinceridade e o despistamento imperam, em que todos conspiram, em que todos se acanalham e abastardam, em que a podridão moral campeia, em que todos fingem, o Integralismo destaca-se como uma verdejante Cordilheira em meio a uma planície estéril e pantanosa. Quando todos teatralizam suas vidas, os Integralistas são o que são; quando todos participam de uma tragicomédia, os Integralistas vivem uma Epopeia; quando a falsidade é como a marca de Caim nas frontes de todos, os Integralistas portam o Sigma como sinal da Verdade; quando todos são insinceros e despistadores, os Integralistas são medularmente sinceros e marcam com perfeita clareza os seus caminhos; quando todos conspiram, os Integralistas batalham em campo raso e de peito aberto; quando todos se tornaram canalhas e bastardos, os Integralistas sustentam a Honra do Brasil; em meio à podridão moral generalizada, os Integralistas pregam e vivenciam os Valores Morais, enfim, quando todos FINGEM ser alguma coisa efêmera, os Integralistas SÃO perenemente.

Toda a incapacidade de se compreender o Integralismo é fruto ou da má-fé de uns poucos, cujos interesses sociais, políticos e econômicos serão prejudicados com a Vitória do Sigma, ou da não percepção da maioria dos Brasileiros de que estão sendo enganados, de que vivem numa ilusão, e para esses o Pensamento, a Palavra e a Ação dos Integralistas afigura-se como algo inacreditável. Vivem num sonho – mais propriamente, num pesadelo... -, mas, não querem despertar, porque isso exigirá assumir o controle de suas próprias vidas, e a Liberdade é um fardo para os covardes e comodistas. No entanto, contrariando a tudo e a todos, o Integralismo permanece firme na sua decisão de acordar o Brasil de seu sono letárgico. Os Brasileiros não podem continuar deitados em berço esplêndido, sonhando com o futuro esplendoroso do Brasil, e não fazendo nada para construí-lo...

O Movimento Integralista, não aceitando ser partícipe desse “espetáculo”, em que vivem embevecidos os Brasileiros, e no qual todos são simultaneamente atores e espectadores, constitui-se de fato numa Revolução, autêntica, isto é, com franqueza nas Ideias e na Ação.

                                               Pelo Bem do Brasil!

                                                         Anauê!

Com o mesmo título já publicamos um Texto neste Blog. Como explicamos naquela oportunidade, aquele fora escrito para constar numa Obra Coletiva sobre o Manifesto de Outubro, e que  fora vetado pelo Editor, o nosso Companheiro Gumercindo Rocha Dorea, devido o seu excessivo tamanho. Então, em substituição, escrevi este outro, que também acabou inédito porque o Livro jamais foi editado. Publico-o aqui e agora esperando imodestamente que seja tão apreciado quanto o anterior.

domingo, 6 de outubro de 2013

Urnas Eletrônicas

Explicação necessária: Este Artigo foi originalmente publicado no Portal Oficial da Frente Integralista Brasileira:  http://www.integralismo.org.br/?cont=911&ox=5  .


Sérgio de Vasconcellos

Desde suas primeiras utilizações na última década do século passado, as Urnas Eletrônicas tem sofrido críticas e acusações de fraude. No que me concerne, a primeira apreciação consistente e bem fundamentada das Urnas Eletrônicas li no hoje extinto Portal da Associação Deus, Pátria e Família, administrado pelo nosso Companheiro e Jornalista combativo Dario Di Martino, em 2005. De lá para cá, as increpações se avolumaram e a polêmica generalizou-se. Sendo que defensores e impugnadores lançam mão de conhecimentos técnicos especializados que a maioria de nós pobres mortais não compreende bulhufas.

Assim, entendi que deveria dar minha opinião de leigo em tal assunto. Aos que se antecipando ao que vou escrever já me julgam incapacitado de exarar um juízo correto por ser um ignorante em “software”, “hardware” e quejandos replico: 1º) O que alguém não sabe, aprende, mesmo superficialmente, afinal, como dizia Santo Agostinho, tudo o que um homem faz, outro é capaz de fazer; 2º) sou Cidadão Brasileiro, com minhas obrigações eleitorais perfeitamente em dia, e, portanto, inteiramente dentro do meu direito de manifestar meu ponto de vista sobre o processo eleitoral vigente; 3º) recuso-me em transferir para outrem – Juízes Eleitorais, Analistas de Sistemas, e quaisquer outros – a capacidade de pensar por mim. Assentado o meu direito, como o de qualquer outro Nacional, de dar pitaco, passemos finalmente às Urnas.

As opiniões sobre as Urnas Eletrônicas, grosso modo, assim se dividem:
- Os que as impugnam totalmente por considerá-las um sistema de fraude oficializado, em que os resultados já  estão programados, e querem voltar às cédulas;
-  Os que aceitam a inovação tecnológica, porém, alertam que sem um método de verificação autônomo (o equivalente à recontagem de votos das antigas cédulas de papel), as Urnas Eletrônicas se prestam à fraude eleitoral;
- Os que, a soldo ou não da Justiça Eleitoral, acreditam que em matéria de Urnas Eletrônicas estamos no melhor dos mundos possíveis, que o sistema é inviolável e perfeito, e quem disser o contrário não sabe o que está dizendo.

Começando pelo último item afirmo com inteira tranquilidade: Sustentar que um Programa de Computador, qualquer que seja, é inviolável, não condiz com a realidade, e só pode ser produto de má fé ou bisonha ingenuidade. Não é preciso ser nenhum gênio da Informática para se saber que QUALQUER programa pode ser invadido, quando muito com grande dificuldade, o que poderia até ser o caso das nossas Urnas, mas, Programa inalterável é coisa que não existe.

Mas, a entrada não autorizada em tais PCs – para quem não sabe, aquelas feias geringonças são microcomputadores -, está longe de ser o fulcro da questão, e gastar rios de dinheiro contratando “hackers” para tentar violar o sistema, como o fez a própria Justiça Eleitoral, no afã de provar que as Urnas são confiáveis é, além de desperdício do erário público, uma demonstração de querer tapar o sol com a peneira, de engambelar a opinião pública. O fato concreto e crucial da questão toda é: Antes da própria confiabilidade das Urnas, o que está sendo posto em dúvida é a Confiabilidade da Justiça Eleitoral, não se trata de nenhuma invasão do processo, mas, de manipulação dos dados por parte dos próprios responsáveis pela lisura e integridade das Eleições. Antes que venham me acusar de por em dúvida o caráter e a honorabilidade de homens e mulheres que gozam de ilibada reputação, deixo claro que não estou imputando ninguém, pelo contrário, o que estou dizendo é que o processo eleitoral brasileiro está por tal forma configurado, tornado uma caixa preta inacessível, que permite tais suspeitas, e o primeiro interessado em afastar tais desconfianças deveria ser o próprio Tribunal Eleitoral. Como disse Cesar a sua esposa, não basta ser sério, é preciso aparentar ser sério. Mas, deixando de lado a Justiça Eleitoral e o Sistema Eleitoral, que tratarei em outra oportunidade, voltemos ao assunto das Urnas propriamente dito.

Indiscutivelmente, a impossibilidade de recontagem de voto terá que ser revista, pois, a cada eleição a acusação de fraude através da transferência de votos de um ou mais Candidatos derrotados para Candidatos vencedores vai se avolumando, e como tal roubo só poderia se dar na programação das próprias Urnas Eletrônicas, então, são os próprios responsáveis pela organização e apuração (Funcionários e Juízes do TE) que estariam a frente de tal armação. Logo, para silenciar de vez tais inculpações, a própria Justiça Eleitoral deverá adotar um método que possibilite a recontagem.

Tal método evidentemente não pode ser o que uns ingênuos propuseram, que o Eleitor saia da Cabine Eleitoral com o seu Voto impresso, dando o seu nome, número do título e o Candidato que sufragou. Isto seria um convite para a reabilitação do Voto de cabresto nos Grandes Centros Urbanos. Disse “nos Grandes Centros Urbanos” porque todos sabem que no interior do Brasil, o Voto de Cabresto e a Fraude Eleitoral são uma realidade, e a “decisão soberana do Povo” é decidida com antecedência em churrascos ou em reuniões de lojas maçônicas... Sem falar que o conceito de voto secreto com a ingênua proposta iria para o espaço se fosse adotada.

Já a outra proposta, em que o Voto Eletrônico seria concomitantemente impresso, checado pelo Eleitor e então depositado numa Urna, o que permitiria sua recontagem em caso de necessidade, parece ser bastante razoável. Todavia, os seus propositores esquecem-se que antes das Urnas Eletrônicas TODOS os Votos eram manuais e devidamente depositados em Urnas, o que nunca impediu qualquer fraude... Logo se vê que a impressão do Voto Eletrônico ou o retorno à votação em cédulas de papel se equivalem e não resolvem a questão.

Então, o Leitor que estiver me acompanhando até aqui poderá se perguntar: Afinal o que cargas d’água eu proponho? Não proponho nada, por enquanto...  

O que afirmo simplesmente é que a questão toda está mal colocada. O grave problema não é a possibilidade ou impossibilidade da recontagem de Votos, mas, a CREDIBILIDADE da própria Justiça Eleitoral que organiza e apura as Eleições. O Eleitor Brasileiro não confia mais na Justiça Eleitoral. Antigamente, quando se falava em fraude eleitoral, o Brasileiro entendia que era um problema localizado, nesta ou naquela Zona Eleitoral. Agora, é a instituição como um todo que não goza da confiança do Eleitor Brasileiro.

Fingir que isto não é um fato, e iniciar uma campanha biométrica de alistamento eleitoral é subestimar a inteligência dos Cidadãos Brasileiros. Não só as fraudes prosseguirão como alguém deve estar ganhando muito dinheiro para implantar a identificação digital...

Consequentemente, se os honoráveis membros da Justiça Eleitoral quiserem impedir o progressivo esvaziamento eleitoral, e recuperar a confiança do Povo Brasileiro na Democracia terão que fazer uma autocrítica severa e tomar medidas sérias e não paliativos ridículos como o recadastramento digital.


Anauê!