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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

OS RACISTAS E SEU ÓDIO AO INTEGRALISMO

Sérgio de Vasconcellos

No Brasil, o racismo tem características “sui generis”. Os racistas, com raras exceções, não se confessam como tal. Vergonha? Medo da Lei Caó (antiga Afonso Arinos)? Vivem a dizer: “eu não sou racista”, mas, não param de falar mal, principalmente, dos mestiços, pelos quais votam um desprezo total. Os racistas nutrem um profundo, visceral e concentrado ódio ao Integralismo. O motivo é simples: O Integralismo não adota ou compartilha descabidas idéias segregacionistas, assumindo uma posição nitidamente antiracista desde a sua Fundação, em 1932.

Os racistas tupiniquins têm desenvolvido toda uma teoria racial surrealista:
1 - A pureza racial.
Que o Brasil foi composto por três “raças”: Amarela, branca e negra - com as suas respectivas culturas próprias -, que só se miscigenaram aqui em nosso País, e que, portanto, é imperioso resgatar tais raízes raciais e culturais, obrigando-se que cada Brasileiro assuma a “raça” e a “cultura” de que proveio...

2 - A miscigenação racial é obra dos comunistas.
Para enfraquecer o Povo Brasileiro, os comunistas fazem a apologia da mistura racial.

3 - O Integralismo é nocivo ao Brasil, pois defende a fusibilidade das raças, os mestiços, e, particularmente, por seu culto ao “caboclo”.

Examinemos cada um desses pontos:
1 - A tese da pureza racial é insustentável. É possível que alguém em sã consciência ache que as diversas raças que vieram para o Brasil, antes de aqui chegarem, nunca houvessem se misturado? Que a miscigenação, que os racistas tanto odeiam, só ocorreu no Brasil? “Milhares de anos” de pureza racial? Ficção científica de má qualidade. Nem um nazista fanático afirmaria uma bobagem semelhante. A Antropologia, a Etnologia, a História, a Geografia, a Biologia, a Geopolítica ou qualquer outra ciência, não corroboram um tamanho disparate. UMA a cultura da raça amarela? Então, um japonês, um tibetano e um borôrô, têm a mesma cultura? Só um indivíduo que jamais compulsou um livro de Antropologia poderia afirmar tamanha tolice.

Desde o Século XVI, todas as raças que aportaram ao Brasil têm se miscigenado, e esse processo contínuo só fez intensificar-se ao longo destes quatro séculos. Querer negar um tal fato, é tapar o sol com a peneira. Querer que um mestiço - a grande maioria do Povo Brasileiro - opte obrigatoriamente por uma das raças de que é descendente, é um absurdo! É uma bobagem!

Certamente, foi pensando nesse tipo de imbecil que o Chefe Nacional escreveu no Manifesto de Outubro: “Criaram preconceitos étnicos originários de países que nos querem dominar”. Não vale a pena insistir mais no exame desse ponto. O Integralismo luta pelo Povo Brasileiro, orgulhosamente mestiço, apesar do horror que isso provoca em todos os racistas.

2 - Afirmar que a miscigenação é discurso e obra da esquerda, é um absurdo, pois a mistura racial é fato constatável por qualquer um que saia de casa e veja o mundo ao seu redor como ele é e não com óculos ideológico nazista. O caldeamento das raças, no Brasil, vem ocorrendo desde o seu Descobrimento, muito antes de Marx e Engels sonharem em nascer, logo, não pode ser obra da esquerda. É preciso ser um completo tapado para defender uma idéia dessas. Diante de tais energúmenos, teimosamente racistas, não posso deixar de lembrar daquelas palavras do Chefe, em “Despertemos a Nação!” (1935): “O nosso grande mal é o semi-analfabetismo, essas massas de homens INCAPAZES DE RACIOCINAR, AVESSOS À LEITURA, REPISADORES DE DUAS OU TRÊS IDÉIAS QUE SE LHES METERAM NA CABEÇA, OPINADORES SUPERFICIAIS EM TODAS AS OPORTUNIDADES, VAIDOSOS, ÔCOS, de gravata e colarinho, enxameando as cidades, parasitariamente.”

3 - O Integralismo não impõe nenhuma mistura racial, ela vem se processando naturalmente ao longo de cinco séculos de história. Quer os racistas gostem ou não, nós somos mestiços, um Povo Mestiço, em pleno processo de caldeamento racial. Protestem o quanto quiser, contra fatos não existem argumentos. Mesmo que alguém se julgue um “ariano” racialmente falando, já é um mestiço culturalmente, goste ou não... A maior parte de nossa população é de mestiços. O discurso racista, além de ser grossa bobagem, é de nítida inspiração nazista. O Integralismo é pela harmonia de todas as raças e pela Cultura Brasileira.

De fato, no Integralismo não há lugar para racismo, isso está estabelecido desde o Manifesto de Outubro, com o qual Plínio Salgado fundou o Integralismo Brasileiro em 1932, e onde já denunciava: “Os brasileiros das cidades não conhecem os pensadores, os escritores, os poetas nacionais. Envergonham-se também do caboclo e do negro da nossa terra”.

Nenhum Integralista é racista. Se existe alguém que se diga Integralista e é racista, então, ele, de fato, NÃO É INTEGRALISTA, é um pseudo-Integralista ou um neo-Integralista, pois, não há lugar para um racista no Integralismo. Foi assim no passado e é assim no presente, como posso testemunhar, pois, estou há trinta anos no Movimento Integralista, tendo participado de Reuniões Integralistas em variados pontos do território nacional, e posso garantir que sempre tivemos e TEMOS pessoas de todas as “cores” nas nossas fileiras. Certa feita seguindo instruções do saudoso Companheiro Dr. Sebastião Cavalcante de Almeida, Chefe Nacional da nova Ação Integralista Brasileira, remeti ao então segundo maior jornal diário do Rio de Janeiro, uma Declaração Oficial na qual afirmava que o Integralismo não era e nunca fora anti-semita. O periódico publicou a Nota na Seção de Cartas dos Leitores, e com isso ganhei duas réplicas: Uma, no próprio jornal, em que um badalado escritor comunista, em artigo de meia página, após dizer as bobagens de sempre, me definiu como um “mentiroso e cara-de-pau”... (imediatamente, escrevi uma carta ao dito jornal em que esmagava o canalha e demonstrava que ele era apenas um asno pomposo, mas, obviamente aquela missiva jamais foi publicada; hoje, aquele outrora prestigioso e independente órgão da imprensa brasileira é uma sombra de si mesmo, sobrevivendo graças a capitais estadunidenses). A outra réplica veio através de um Manifesto do Partido Nazista Brasileiro, onde o Integralismo foi acusado de ter sempre estado a serviço dos judeus, e também onde fui particularmente atacado e denunciado como amigo e lacaio dos judeus... Acredito que seja o único Integralista com o título de filo-judeu passado pelo Partido Nazista...

Sendo o Chefe Nacional Plínio Salgado, oriundo do interior do Estado de São Paulo, onde o caboclo (mestiço de branco com índio) é predominante, naturalmente a figura do caboclo assumiu um relevante papel na sua produção literária. Assim, Juvêncio, Edmundo Milhomens, Maranduba e Martinho, todos caboclos, são personagens marcantes nos seguintes romances do Fundador do Integralismo: “O Estrangeiro” (1926), “O Esperado” (1931), “O Cavaleiro de Itararé” (1933) e “A Voz do Oeste” (1934). Com muita propriedade protestava o Chefe em “Despertemos a Nação!” (1935): “O semi-analfabeto é o cidadão que sabe ler e escrever e que, por isso, se julga superior ao pobre caboclo que lavra a terra e ao operário que produz nas fábricas”. É perfeitamente compreensível que essa inclinação de Plínio Salgado para o caboclo influenciasse todos os Integralistas. Ainda em 1991, o Companheiro Ubiratan Pimentel, para chocar e horrorizar a sensibilidade pequeno-burguesa dos racistas, escreveu no Manifesto da Juventude Integralista: “Proclamamos os direitos inalienáveis da Raça Cabocla, em face da imposição de uma excrescência cultural alienígena, perpetrada por ideologias étnico-políticas e pseudo-religiosas que se comportam como fatores de desagregação, abalando sub-repticiamente a Cultura Brasiliana, através de quistos sócio-culturais”.

O que é o racismo? É a negação do Brasil como um País pluri-étnico e a recusa de uma Cultura Brasileira. O Integralismo, desde o seu surgimento pugna pela criação de uma cultura, a Cultura Brasileira: “Nós, brasileiros unidos, de todas as Províncias, propomo-nos criar UMA cultura, UMA civilização, UM modo de vida genuinamente brasileiros” (Manifesto de Outubro).

Justamente na questão racial, o Integralismo acredita que um grande papel está reservado ao Brasil. Eis o que diz Plínio Salgado no seu livro “A Quarta Humanidade” (1934):
“Que missão estará reservada a esta grande Pátria? Que contribuição trará ela à Humanidade do futuro? Tudo nos indica que se desafogarão em nós, E AQUI DESAPARECERÃO, TODOS OS ÓDIOS DE RAÇAS e de religiões,(...)”.
“É preciso, entretanto, para que um dia tenhamos o dom da palavra, QUE NÃO DEIXEMOS AQUI PREDOMINAR NENHUMA DAS FEIÇÕES JÁ DEFINIDAS DA VELHA CIVILIZAÇÃO QUE AGONIZA, depois da Grande Guerra, porque o seu ciclo está definitivamente encerrado...”
“Nós somos UM POVO QUE COMEÇOU A EXISTIR DESDE A MORTE DE TODOS OS PRECONCEITOS, quando as três raças se fundiram, (...)”.
“Nossa Pátria nasceu da confraternização das raças, DAS GRANDES NÚPCIAS HISTÓRICAS (...)”.
“(...) A FUSÃO das três raças iniciais ensinou-nos o amor da humanidade, e de tal modo ampliou a nossa possibilidade de amar, que diante desse sentimento, RUÍRAM TODOS OS PRECONCEITOS, todas as prerrogativas, como deixaram de existir todos os ódios. (...)”.
“AS CORRENTES IMIGRATÓRIAS, QUE NOS PROCURAM, TERÃO DE RENUNCIAR O PASSADO, CONDIÇÃO QUE FOI IMPOSTA AOS NOSSOS AVÓS, QUANDO PASSARAM A TERRA AMERICANA. E nós devemos acolhê-los, SEM NOS SUJEITARMOS A QUAISQUER IMPOSIÇÕES que tragam o cunho de velhos prejuízos europeus, ou QUE TENHAM EM MIRA PERPETUAR, DENTRO DE NOSSA PÁTRIA, FEIÇÕES NACIONAIS ESTRANGEIRAS”.
“A América do Sul vai erguer-se, pelo milagre do Brasil. O BRASIL CABOCLO, o Brasil forte, o Brasil do sertão, o Brasil bárbaro e honesto, num ímpeto selvagem, vestiu uma farda da cor das nossas matas e desfraldou uma bandeira da cor do céu”.

O racismo é um pensamento unilateral e fruto da ignorância, portanto, inteiramente incompatível com o Integralismo. É inimaginável um Integralista dirigir-se a um outro Brasileiro, chamando-o de mulato, branco, cafuzo, carcamano ou qualquer expressão preconceituosa semelhante. O Camisa-Verde não julga ninguém pela cor da epiderme. “O homem vale pelo trabalho, pelo sacrifício em favor da Família, da Pátria e da Sociedade. Vale pelo estudo, pela inteligência, pela honestidade, pelo progresso nas ciências, nas artes, na capacidade técnica, tendo por fim o bem-estar da Nação e o elevamento moral das pessoas”. É o Valorímetro Integralista exposto por Plínio Salgado, no Manifesto de Outubro.

O Integralismo não tem bandeiras raciais de qualquer tipo: “Veja, pois, que o nosso ponto de vista é superior a respeito deste problema. NÃO COMBATEMOS NEM RAÇAS nem classes: insurgimo-nos contra uma civilização”. “O problema do mundo é Ético e NÃO ÉTNICO”.(Plínio Salgado, “Trechos de uma Carta”, Panorama - Nº 4 e 5 - Abril e Maio de 1936).

quinta-feira, 15 de julho de 2010

"Ismos"

Sérgio de Vasconcellos

O Integralismo é... Integralismo! Não é socialismo, comunismo, nazismo, fascismo, capitalismo, liberalismo, etc.

No entanto, é comum aos pseudo-integralistas querer atrelar o Integralismo com um “ismo” de sua preferência...

Infelizmente, um dos “ismos” prediletos dos pretensos “Integralistas” é o nazismo - aliás, a popularidade de que goza o nazismo no Brasil e em outros países, só se explica pela intensa propaganda que o cinema estadunidense fez dele no pós-guerra... -, e, no entanto, o Integralismo não tem semelhança alguma com o nacional-socialismo, nem é tributário ou caudatário da ideologia hitlerista. Na verdade, o nazismo tem muita semelhança com o... comunismo...

São inumeráveis as dessemelhanças entre o Integralismo e o nazismo, mas, vejamos algumas:

O Integralismo é uma Doutrina Política genuinamente nacional. O nazismo é uma ideologia estrangeira, tão perniciosa quanto o anarquismo, o marxismo, o liberalismo, e outras que sejam igualmente importadas.

O Integralismo é nacionalista. O nazismo é internacionalista, como o comunismo.

O Integralismo é anti-imperialista. O nazismo é imperialista, como o comunismo.

O Integralismo é Democrático (defendemos a Democracia Orgânica), o nazismo é antidemocrático, da mesma forma que o comunismo.

O Integralismo é Espiritualista. O nazismo é materialista, como o comunismo.

O Integralismo é pela fusibilidade racial, logo, anti-racista. O nazismo é racista, enquanto o comunismo é pelo predomínio do operariado, ou seja, é apenas uma outra forma de discriminação...

O Integralismo é pelo Princípio de Autoridade. O nazismo é autoritário e o comunismo também.

O Integralismo é Sindicalista, o nazismo é anti-sindical. O nazismo tão logo chegou ao poder, fechou todos os sindicatos e os substituiu pela Frente Alemã do Trabalho, inspirada nas CGTs comunistas, algo parecido com a CUT...

O Integralismo defende o pluripartidarismo. O nazismo é pelo partido único, exatamente como o comunismo.

O Integralismo defende a Liberdade. O nazismo e o comunismo suprimem toda e qualquer liberdade.

O Integralismo é anti-totalitário. O nazismo e o comunismo são totalitários. Aliás, ambos procedem da mesma matriz, o idealismo hegeliano (o marxismo, oriundo dos hegelianos de esquerda, enquanto o fascismo e o nacionalsocialismo, dos hegelianos de direita). Já o Integralismo alinha-se com o aristotélico-tomismo, ou seja, com o realismo.

Poderíamos prosseguir enumerando as diferenças entre o Integralismo e o nazismo, mas, as que apontamos são suficientes para comprovar que Integralismo e nazismo são completamente distintos.

Historicamente, o nazismo sempre combateu o Integralismo nas regiões de colonização alemã no Brasil. A imprensa nazista nos acusava de querer “caboclizar” o ariano... E, de fato, o Integralismo resgatou para o ecúmeno nacional uma quantidade incrível de Brasileiros de origem alemã, para tanto, foi necessário publicar muito material em língua alemã, pois era o único idioma que dominavam milhares de Brasileiros em pleno Brasil! Até um jornal diário em língua alemã publicávamos no Sul do Brasil para atingir aqueles Brasileiros.

O Integralismo jamais apoiou o Eixo, nem antes, nem durante a Guerra. Antes, como já dissemos, nas áreas de colonização alemã, o Integralismo e o nazismo se antagonizavam fortemente. Uma vez deflagrada a Guerra - e o Integralismo estava oficialmente fechado -, Plínio Salgado orientou aos adeptos do Sigma de que, no caso do Brasil entrar na Guerra, os Integralistas deveriam apoiar o Governo, pois, na hora do perigo, a Nação deve estar unida. Sobre tudo isso, existe farta documentação.

Esta absurda e inverídica associação do Integralismo com o nacional-socialismo é uma opinião muito generalizada. Mas, se um meu interlocutor, quando me digo Integralista, faz a “ponte” com o nazismo, deixa claro que ele não conhece o que é o Integralismo, nem sabe o que de fato foi o nacionalsocialismo. Assim, exponho sucintamente - como fiz nos parágrafos precedentes - as diferenças entre a Doutrina Integralista e a ideologia nazista. Se o meu interlocutor compreende, ótimo, caso contrário, azar o dele, e vou conversar com alguém inteligente...

Enfim, o Integralismo é uma Doutrina completa que dispensa aproximações com quaisquer ideologias. Dediquemo-nos, Companheiros Integralistas, mais ao estudo das Idéias Integralistas, e esqueçamos aquelas ideologias que, como já demonstrou Plínio Salgado, são unilaterais e contrárias aos interesses do Brasil.


segunda-feira, 12 de julho de 2010

Gustavo Barroso

Sérgio de Vasconcellos

Os detratores do Integralismo querem transformar Gustavo Barroso em um cavalo de batalha contra o Sigma, acusando-o falsamente de nazista, anti-semita, etc.

Ora, Gustavo Barroso foi a segunda figura do Integralismo, tendo sido o líder da Milícia e depois o Secretário Nacional de Educação, logo, jamais foi nazista, nem suas idéias se aproximavam do nazismo. O saudoso Companheiro Jayme Ferreira da Silva, no “A Verdade sobre o Integralismo”, refuta em definitivo estas calúnias contra Gustavo Barroso, aliás, as Edições GRD reeditaram tal trabalho, que infelizmente não se encontra a venda em todas as Livrarias, devido ao cerco cultural imposto ao Integralismo.

A Doutrina Integralista não é, nunca foi e jamais será anti-semita ou anti-judaica. O Chefe Nacional Plínio Salgado jamais perdeu seu tempo tratando disso. Em “O que é o Integralismo”, “Psicologia da Revolução” e na “Quarta Humanidade”, entre outras, Plínio Salgado explica-nos com clareza como o Mundo e o Brasil chegaram à situação lamentável em que se encontram, sem precisar lançar mão de qualquer teoria conspiratória. Todavia, Barroso, sem negar validade à interpretação do Chefe, pessoal e particularmente acreditava que estava em curso uma conspiração para a escravização de toda a Humanidade. É um ponto de vista adotado ainda hoje por muitos, Integralistas, não-Integralistas e até anti-Integralistas (para estes últimos, nós, Integralistas, também somos agentes desta conspiração...). O Integralismo basta a si mesmo, não precisa ser ‘enriquecido’ por outros “ismos”. Quero enfatizar, Gustavo Barroso, não era racista, pelo contrário, era anti-racista.

Quando uma editora gaúcha, a Revisão, anunciou que iria reeditar TODA a obra de Gustavo Barroso devo confessar que, infelizmente, não acreditei, e por dois motivos: 1º) A Obra Barrosiana é tão vasta (só perde para a de Coelho Netto), que escaparia completamente de sua capacidade editorial. 2º) A posição ideológica do editor, o levaria a publicar somente os volumes dedicados às Questões Judaica e Maçônica. Todas aspublicações da Revisão devem ser usadas com cautela, pois, contêm inúmeros erros (de tradução, de gramática, de digitação, diagramação, etc.), faltou revisão... Além das liberdades que a editora toma, por exemplo, a reedição dos “Protocolos” contem notas do editor e uns comentários, no final, totalmente dispensáveis. Razão pela qual, muitos preferem as edições da Minerva, dos anos 30. A Obra Integralista de Barroso não é pequena: “O Integralismo em Marcha”, “Brasil - Colônia de Banqueiros”, “O Integralismo de Norte a Sul”, “O Quarto Império”, “A Palavra e o Pensamento Integralista”, “História Militar do Brasil”, “O que o Integralista deve Saber”, “O Integralismo e o Mundo”, “Espírito do Século XX”, “História Secreta do Brasil”(3 vols.), “A Sinagoga Paulista”, “Judaísmo, Maçonaria e Comunismo”, “Integralismo e Catolicismo”, “Reflexões de um Bode” e “Comunismo, Cristianismo e Corporativismo”. É o segundo Autor Integralista em número de livros, só perdendo para o Chefe, e superando Reale, que só publicou sete livros de Doutrina. Não são Obras Integralistas, “Os Protocolos dos Sábios de Sião” e “Maçonaria - Seita Judaica” (de autoria de I. Bertrand), que apenas foram traduzidas pelo Barroso. Os “Protocolos” foram publicados originalmente em russo, em 1902, quando Plínio contava sete anos de idade e era uma criança livre e despreocupada, brincando alegremente em São Bento do Sapucaí. O Integralismo surgiria muito depois.

Outro mito que deve acabar: Não existe nenhuma “caça” aos livros de Gustavo Barroso nos sebos, e o afirmo com autoridade de quem trabalha há mais de vinte anos no ramo dos livros usados. Vou dizer algo que certamente desagradará a alguns concorrentes: Os Livreiros inventam tais histórias para valorizar as obras que desejam vender. Eis alguns exemplos:

A Igreja Católica manda comprar todos os exemplares do “Os Crimes dos Papas”, onde seria narrada a história criminosa do papado. Aqui no Rio, chegava-se a mencionar o nome do Cardeal. Até eu acreditei bisonhamente na história e esperava para qualquer momento a visita de um representante da Cúria Arquiepiscopal... O tempo foi passando, o enviado do Cardeal não aparecia... , e, finalmente, um exemplar da obra caiu-me nas mãos, imediatamente fui lê-lo. Então percebi o logro, o livro é uma porcaria, totalmente fantasioso, fictício, enfim, uma droga. Certamente a Igreja não ia preocupar-se com aquele lixo. Em pouco tempo constatei que os Católicos não dão a menor importância ao livro, considerando “Os Crimes dos Papas” um trabalho sem seriedade; só os Maçons e Espíritas o adquiriam e, ao fazê-lo, ainda repetiam a cantilena mitológica criada por comerciantes inescrupulosos para tosquiá-los... Confesso que ganhei dinheiro. Agora, “Os Crimes” foram reeditados e o seu preço caiu. Mas, tenho certeza que algum Livreiro esperto vai espalhar que a nova edição foi adulterada pela Igreja Católica, que a melhor é a edição antiga, esgotada, raríssima e que a Igreja Católica compra para destruir! E muitos ingênuos vão acreditar e pagar preços exorbitantes por um livro que não vale o papel em que está impresso.

A Igreja Católica compra, para destruir, todos os exemplares do livro “O Papa e o Concílio”, de Janus, que foi traduzido por Rui Barbosa. Que o livro não é mais publicado porque o renomado jurista reconciliou-se com a Igreja e, por insistência das Autoridades Eclesiásticas, concordou que não fosse mais reeditado. Agora, os fatos: Rui Barbosa foi convidado por Saldanha Marinho, líder da Maçonaria, para prefaciar um livro totalmente anti-católico sobre o Concílio Vaticano(o Primeiro), escrito por um Maçon sob o pseudônimo de Janus. Rui Barbosa que passava por uma fase anti-clerical aceitou a encomenda e escreveu um prefácio que ocupa 3/4 do livro(!), onde não poupa críticas ao Papado. Não é verdade que não tenha sido reeditado e esteja esgotado, como propalam muitos Livreiros, pois, faz parte das Obras Completas de Rui Barbosa e pode ser comprado na Casa de Rui Barbosa por um preço inferior ao dos Sebos... onde incautos Maçons e Protestantes o compram e se deliciam com o seu ultrapassado anti-clericalismo.

A “Monita Secreta”, livro onde constariam as instruções secretas dos Jesuítas, seria outra obra “caçada” nos Sebos, para a destruição, pelo discípulos de Santo Inácio de Loiola. Pois bem, a “Monita Secreta” é outro livro forjado pelo espírito anti-religioso do Século XIX, não é obra dos Jesuítas e estes não o procuram pelos Sebos, somente Maçons ainda acreditam nesta basófia e o compram. Também foi reeditado recentemente.

Não existem, pois, comandos de Judeus e Maçons varrendo os Sebos atrás dos célebres “Protocolos”. Mas, não é isso o que contam os meus concorrentes... E por conta da lenda cobram caríssimo, principalmente se for a tradução de Gustavo Barroso, que é a melhor. Aliás, mesmo com a reedição da versão do Barroso, os preços dos “Protocolos” não caíram nos Sebos, pelo contrário, aumentaram muito. Chegou-nos ao conhecimento de que a política da Comunidade Judaica em relação a este livro é apresentar uma queixa de anti-semitismo contra o LIVREIRO, que tem de ir a Delegacia se explicar... O que é no mínimo curioso, pois, conheci um Livreiro judeu - já saiu do ramo - que vendia os “Protocolos” e qualquer literatura anti-semita que lhe caía nas mãos, por um bom preço, é claro... Seria ele nazista e antissemita?

A caça predatória às obras de Gustavo Barroso, não existe, simplesmente a demanda é maior que a oferta, o que aumenta os preços. Se a Editora Revisão não tivesse sido golpeada por uma brutal injustiça, a procura por Barroso seria satisfeita, pelo menos em parte. Enfim, se alguém quiser ler Barroso, procure-o nos Sebos, pois, nas Bibliotecas seus livros estão sumindo, será que estão sendo caçados?

Existe uma Obra de Gustavo Barroso que povoa as imaginações: O 4º volume da “História Secreta do Brasil”. Pelo que ouvi de velhos Camisas-Verdes (e muitos privaram da intimidade de Barroso), o 4º Volume foi escrito e o seu conteúdo referia-se aos contemporâneos (pelo que foi dito no “Sinagoga Paulista”, pode-se ter uma pálida idéia das revelações contidas no volume inédito...). Julgo pouco provável a sobrevivência do original, pois, a polícia estadonovista varejou a casa de Gustavo Barroso, certamente desaparecendo com muita coisa - a casa de Plínio Salgado, na Rua Voluntários da Pátria, em Botafogo, aqui no Rio, foi, literalmente, saqueada pelos esbirros do negregado Vargas - e, de qualquer forma, após o falecimento do Barroso, sua Família vendeu tudo para a Livraria São José, tradicional sebo aqui do Rio de Janeiro, porém, curiosamente, só uns poucos exemplares da sua imensa Biblioteca foram comercializados... Mas, era de praxe na época o Autor providenciar várias cópias datilografadas do original, quem sabe se algum dia por milagre uma delas não apareça. Eu acredito em Milagres!

Recentemente, os inimigos do Brasil, têm tentado utilizar-se de outra Obra de Barroso, “O Integralismo e o Mundo”. Ora, o livro “O Integralismo e o Mundo” foi publicado originalmente em 1936, e sua finalidade era passar em revista os Movimentos Nacionalistas que vicejavam por todo o Mundo, naquele período, do Afeganistão ao Uruguai. Ele não diz que o Integralismo é igual ao fascismo, pelo contrário, diz apenas: “De todos os movimentos de caráter fascista, e assim os denominamos por falta de expressão mais apropriada para a sua generalidade, o Integralismo Brasileiro é o que contém maior dose de espiritualidade e um corpo de doutrina mais perfeito à formação dos grupos naturais e à solução dos grandes problemas materiais”.(pág. 15). Em seguida, aponta diversas diferenças entre o Integralismo e o fascismo. Aos que estiverem interessados em verificar a exatidão do que digo, sugiro a 2ª edição de “O Integralismo e o Mundo”, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1937 - 290 págs.

No entanto, dos livros de autoria de Gustavo Barroso, o meu predileto é “O Livro dos Enforcados”, onde, narrando as execuções capitais no Ceará do tempo do Império, criticou e condenou brilhantemente a Pena de Morte.

“...o brasileiro é eminentemente contrário a qualquer racismo...”
Gustavo Barroso
(“Judaísmo, Maçonaria e Comunismo”. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1937 - 235 págs. - il.; a citação encontra-se na página 10).